O prefeito Marcos Trad (PSD) afirmou que convocará uma comissão instituída pelo Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para fazer uma vistoria nas intervenções do Reviva Campo Grande.
Trad visitou a obra na tarde de ontem, depois de reportagem do Portal do Correio do Estado mostrar que piso tátil foi instalado no rumo de um poste, na calçada da Rua 14 de Julho com a Maracaju. A situação, que representa risco a pessoas com deficiência visual, chamou atenção pelo descuido da construtora Engepar Engenharia, responsável pelas obras do Reviva Campo Grande.
Conforme o prefeito, essa comissão faz visitas frequentes à obra e produz boletins técnicos. “Vou chamar essa comissão e iremos lá”, disse.
Em visita à obra na tarde de ontem, o prefeito teria ordenado a correção do piso tátil instalado rumo a um poste. Comerciante, que pediu para não ser identificado na reportagem, informou que logo após a visita do prefeito operários iniciaram a retirada do piso tátil instalado no local.
Antes disso, Maria Dolores, 47 anos, afirmou que a situação representava um risco. “Não pode deixar assim, né? É perigoso alguém bater e até se machucar”, diz.
Já o estudante Lucas Queiroz, 22 anos, afirmou que o local devia estar melhor sinalizado. “[Deveria estar] Cercado, para o deficiente nem chegar perto”, considera.
A assessoria de imprensa do Reviva informou que “trata-se do poste de semáforo que será removido. Foi feito o acabamento no pé dele na intenção de não deixar buracos que possam ocasionar queda”.
A Engepar reforçou que a situação é temporária e que o piso tátil foi instalado no local conforme projeto original. Segundo a empresa, nas próximas etapas da obra, o poste será removido e o semáforo instalado em outro espaço. Por enquanto, a empresa diz que o ponto em questão deve ser sinalizado com um cone.
ADITIVO
Orçada em R$ 49 milhões, a obra do Reviva Campo Grande pode ter o primeiro aditivo em nove meses desde que a obra começou. A Engepar Engenharia afirma que, em razão da complexidade dos serviços, o adicional será necessário.
Diante da aprovação de aditivo, comerciantes pedem medidas para reduzir o prejuízo no comércio em decorrência das intervenções. Em reunião realizada na terça-feira, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), além de apresentar proposta de plano de mídia ao prefeito Marcos Trad, representantes do comércio insistiram em encontrar alternativas para amenizar os prejuízos verificados nos dez meses de duração das obras.
De acordo com o presidente da CDL, Adelaido Vila, a isenção tributária é necessária para a sobrevivência dos lojistas. “Eles estão desesperados. Você está reformando a via pública em prol da cidade. Um pequeno grupo não pode ser penalizado em prol de toda uma cidade”. A entidade estima que mais de 90% dos comerciantes alugam os imóveis e, desde o início das obras, foi verificado o fechamento de 7 mil postos de trabalho.
O prefeito Marcos Trad ainda não se posicionou sobre o pedido, no entanto, afirma que teme que qualquer acordo nesse sentido abra precedentes e acabe pesando no bolso da população. “Onde a gente for fazer obra e atingir um comércio, você vai dar para todos uma isenção tributária? Fica difícil. A gente até gostaria de dar. Mas como fazer isso?”, questiona.
Também foi apresentado ao prefeito um plano de mídia elaborado com a finalidade de atrair os consumidores para o centro da Capital, apesar do transtorno das obras. Conforme Vila, o contrato do Reviva Centro com o Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) prevê a utilização de 3% do recurso para esse tipo de ação. No entanto, o prefeito já adiantou que só adere à proposta caso não gere despesas para o município.