Na tarde desta sexta-feira (12), a 8ª Conferência Municipal de Saúde, realizada na Câmara dos Vereadores de Campo Grande contou com a participação da Presidente da Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos (AARH), do Hospital São Julião, Beatriz Dobashi e do superintendente de Relações Institucionais da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Antonio Lastória.
O evento é realizado a cada quatro anos e funciona como instrumento de participação da sociedade, para debater políticas publicas voltadas pra defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da melhoria de atendimento na rede pública de saúde. Foram eleitos 280 delegados nos conselhos distritais de saúde de Campo Grande, nas sete regiões urbanas.
A doutora Beatriz Dobashi defendeu a atenção primária de saúde, destacando que o atendimento dos grupos de risco desafogam os agendamentos nas unidades de saúde. "O atendimento de gestantes, diabéticos, hipertensos e idosos funciona e libera vagas nas unidades de emergência, não tenho dúvida de sua eficácia", ressalta.
Outra observação apresentada pela ex-secretária de saúde é a importância de esclarecer a população sobre a necessidade da imunização. "O Brasil já foi modelo de prevenção por vacinação e a incidência de sarampo foi quase zero. Contudo, a doença retornou e a cada ano observa-se nos relatórios nacionais e regionais, que os pais e responsáveis estão deixando de levar as crianças para serem imunizadas", pontua a médica.
A observação sobre o sarampo é uma alusão a preocupação do Ministério da Saúde quanto ao baixo índice de cobertura vacinal no país: metade dos municípios do Brasil não alcançou a meta de vacinação contra o sarampo, conforme dados de 2018. Isto é, dos 5.570 municípios do país, 2.751 estão abaixo da meta.
INCLUSÃO SOCIAL
A vereadora, enfermeira Cida (PROS) é vice-presidente da Comissão Permanente de Saúde da Casa de Leis e acompanha a conferência desde as primeiras edições, em razão de sua formação profissional.
"Defendo a atenção básica da saúde, por atuar de forma preventiva ou de controle de doenças como hipertensão e diabetes, por exemplo. No entanto, para que isso aconteça é preciso aliar educação e esclarecimento, a fim de que o cidadão compreenda sua participação, direitos e deveres no funcionamento da saúde pública", argumenta.
Para o conselheiro de saúde, Gilson dos Santos Menezes, representante do Jardim Botafogo, localizado no Distrito Anhanduizinho é importante discutir a qualidade de vida do trabalhador em saúde. "Alguns setores exigem alta carga ergonômica, insalubridade e desgaste físico e emocional. Por isso, esses profissionais deveriam ter acesso a uma aposentadoria especial, sem prejuízo no salário", opina.
Depois de várias fases de reuniões, debates e votações, 30 propostas serão apresentadas na conferência, das quais cinco serão escolhidas para serem apresentadas na conferência estadual de saúde. A votação acontece no sábado (13), das 7h30 às 16h, na Câmara Municipal.