Após não conseguirem entrar em acordo com a Santa Casa, os médicos do serviço de cirurgia geral da unidade foram desligados, na última sexta-feira (3), e 21 profissionais que exerciam a área não fazem mais parte do efetivo da instituição.
Através de uma carta de esclarecimento, atribuída à equipe de Cirurgia Geral, os médicos informam que, no dia 2 de abril, foi documentada a intenção de encerramento das atividades caso os salários atrasados não fossem regularizados e o vínculo empregatício não fosse reconhecido.
No dia 13 do mesmo mês, o Correio do Estado noticiou que, em ofício encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), o cirurgião geral e chefe do setor, Heitor Soares de Souza, junto de outros [na época] 16 médicos da área, informou sobre o encerramento da atuação dos profissionais a partir de 3 de maio.
“Em 30 dias, as atividades do serviço de cirurgia geral, bem como sua participação junto à residência médica da especialidade, serão encerradas”, anunciaram os médicos.
No mesmo ofício, os profissionais afirmam que a medida é por conta dos constantes atrasos nos pagamentos de honorários e serviços prestados, além da falta de regulamentação contratual dos especialistas e aumento constante da carga de trabalho.
NEGOCIAÇÕES
Ainda na carta, os cirurgiões afirmam que a instituição “deixou claro” que a contratação em regime das Consolidações das Leis do Trabalho (CLT) era inviável e inegociável. Então, ficou acordado que a Santa Casa iria dispor um contrato de prestação de serviços como pessoa física, após discussão dos termos desse documento entre os cirurgiões e a unidade hospitalar.
Porém, a devolutiva do hospital não foi condizente com os termos desejados pelos profissionais, que decidiram dar um prazo de 15 dias com o objetivo de se chegar a um acordo final e não prejudicar o atendimento à população. Entretanto, a instituição decidiu por não prosseguir com a negociação, desligando os médicos das atividades.
Como consequência das demissões, conforme apurado pelo Correio do Estado, somente um cirurgião geral está atendendo na Santa Casa, o que fez com que uma gestante com apendicite aguda fosse encaminhada para cirurgia em outra unidade hospitalar porque não seria possível realizar o procedimento no local.