Motoristas de aplicativo de transporte de Campo Grande participaram de paralisação global nesta quarta-feira. Além de desligarem os aplicativos, cerca de 30 motoristas se reuniram nos altos da Avenida Afonso Pena para pressionar por reajuste tarifário de 20,12% no valor cobrado. Caso as empresas acatem o pedido, o novo valor pode ser repassado aos usuários.
Conforme o presidente da Amac (Associação dos Motoristas de Aplicativo de Campo Grande), Jhonny Coelho, alguns aplicativos operam na Capital há três anos sem qualquer reajuste. “Não estamos pedindo nada abusivo. Nos baseamos em cima do valor do combustível e o valor da inflação neste período”, explicou.
A entidade afirma que em menos de três anos o número de condutores cadastrados saltou de 2,5 mil para 7 mil motoristas. “Tem pai de família que trabalha 15 horas por dia. Porque você ganha na quantidade de caronas. Tem que trabalhar demais para conseguir um pouquinho de dinheiro. A gente acha isso uma grande exploração”, afirmou.
Os aplicativos de carona, tornaram-se alternativa de trabalho para Bernadete de Paulo, 43 anos, há dez meses quando ficou desempregada. “Tenho trabalhado em média 12 horas por dia para tirar cerca de R$ 200. Porém, não tem sido mais possível tirar esse valor”, afirmou.
Para o aposentado Alfredo Coelho de Souza Gomes, 64 anos, o aplicativo surgiu como uma possibilidade de complementar a renda, já que não conseguia mais encontrar emprego. “Tirava uma média de R$ 120 por dia. Agora não estou tirando nem R$ 80, mesmo trabalhando das 6h30 às 19h”.
A estimativa é que pelo menos 4 mil motoristas fiquem indisponíveis durante 24 horas na Capital.
PROTESTO
O movimento, que ganhou o nome “Uber Off” (Uber desligado), segue orientação de associações de motoristas internacionais. Paralisação global ocorre na mesma semana em que a Uber deve fazer sua estreia na Bolsa de Valores. No Brasil, motoristas protestam também contra o aumento do preço da gasolina. Em seu lançamento de ações, a Uber espera atingir US$ 91 bilhões em valor de mercado e arrecadando até US$ 9 bilhões.