Cidades

PRESO COM ARSENAL

Após suplica, guarda municipal será transferido para presídio

Marcelo afirmava não se sentir seguro onde estava preso

Fábio Oruê

27/05/2019 - 16h46

Depois de “suplicar” transferência em bilhete, o guarda municipal Marcelo Rios, de 42 anos, preso no domingo (19), com arsenal de armas, será transferido para presídio, entre hoje (27) e amanhã (28). Rios está preso em cela na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e conforme informações do delegado Fábio Pero a vaga do suspeito em unidade prisional já está liberada.

A “suplica” foi anexada junto ao pedido formal de transferência feita pelos advogados de Rios, Alexandre Gonçalves Franzoloso, Luiz Renê Gonçalves do Amaral e Márcio de Campos Widal Filho.

“Eu Marcelo Rios suplico ao senhor juiz que autorize minha transferência para o CT pois não me sinto seguro onde me encontro preso. Preciso sair daqui urgente”, diz a mensagem escrita à mão.

O Juiz Roberto Ferreira Filho determinou que a transferência para a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) aconteça no prazo de 24 horas. 

A defesa se utiliza do artigo 18 da lei 13.022/2014 que diz que ele como guarda tem direito a cela isolada dos demais presos, quando a prisão acontece antes da condenação definitiva.

Outros dois envolvidos no caso, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, também presos no Garras, ainda não tem vaga liberada e esperam resposta da Agepen.

ARSENAL MILIONÁRIO

No domingo, o Garras, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, apreenderam dezenas de armas de grosso calibre em poder de Marcelo, no Bairro Monte Líbano, em Campo Grande. No local, a polícia encontrou dois fuzis AK-47, quatro fuzis calibre 556, duas espingardas calibres 12 e 22, 17 pistolas e um revólver calibre 357.  

Além das armas de fogo, foram apreendidos supressores de ruídos (silenciadores), diversos carregadores e munições. Um veículo com restrição criminal por roubo/furto também foi apreendido no local.

A prisão em flagrante de Rios acabou convertida em prisão preventiva, durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (20), no Fórum da Capital.

Na quarta-feira (22), com o desdobramento das investigações, policiais fizeram a prisão de Rafael e Robert, suspeitos de envolvimento no caso. Conforme apurado, os servidores são suspeitos de planejarem o sequestro e cárcere privado da mulher do colega preso com o arsenal. Eles foram autuados por obstrução de Justiça.

MILÍCIA 

A suspeita da polícia, ainda de acordo com o que foi levantado, é de existência de uma organização criminosa por trás do esquema das armas e que, com o sequestro, o grupo tinha o objetivo de impedir possível delação por parte de Rios. Para coagi-lo, os criminosos teriam planejado e encomendado a ação contra a esposa dele.

Também existe a suspeita de que mais guardas municipais estejam envolvidos com a quadrilha. O arsenal que pode ter vinculação com crimes de pistolagem ocorridos na Capital e também indicariam a existência de verdadeiros milicianos entre integrantes da Guarda Municipal de Campo Grande.

Esse caso acabou causando mal-estar dentro da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) quando a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) informou em nota um possível envolvimento de policiais civis e militares no caso.   

O secretário da Sesdes, Valério Azambuja, teria ligado para o secretário da Sejusp Carlos Videira informando do envolvimento de policiais civis e militares no crime.  

Em nota, a Sejusp informa que as investigações estão em andamento, e foi determinado que as corregedorias dos órgãos ligados à secretaria investiguem possível participação de servidores neste caso. Se houver qualquer indício de envolvimento, eles vão responder não só na esfera administrativa, como também na criminal”, destacou Videira.  

 

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