Durante depoimento do réu Ricardo Su Moon, acusado de matar o empresário Adriano Correa Nascimento em 2016, foi questionado pela promotoria sobre detalhes no dia do crime conforme demonstração de anexos nos autos das provas de reprodução simulada, realizada no dia 11 de janeiro de 2017. Marcado por troca de farpas entre réu e promotores, Moon não confirmou as alegações baseadas nas provas e em relação ao detalhes no dia do crime afirmou que “não foi bem assim”.
O julgamento começou às 8h desta quinta-feira (30) e reuniu diversas pessoas, entre familiares de Adriano, policiais rodoviários federais, todos vestidos de camiseta azul e estudantes de direito. Em primeiro momento foram ouvidos as testemunhas Vinicius Ortiz e Agnaldo Spinosa da Silva que estavam no veículo junto com adriano e presenciaram o crime.
Moon foi o terceiro a ser ouvido pela juíza de Direito da 18ª Vara Cível Denise de Barros Dodero Rodrigues e em seguida pelos promotores de justiça. Ao ser questionado sobre a posição em que estava do carro de Adriano antes e depois dos disparos, ele não confirmou a distância conforme simulação em que ele mesmo participou e disse que não teve acesso para contestar os fatos. “Eu relatei, eu sei o que é relatar, mas ninguém me chamou e mostrou se a foto está boa é desse jeito, não foi me perguntado isso, eu não vi as fotos para contestar essas provas. Estou até surpreso de ver essas fotos porque a distância que eu estava não foi essa, não foi dessa forma”, disse.
Moon também foi questionado sobre a posição dos veículos após o crime. Conforme apresentado pela promotora e que está anexo aos autos, testemunhas afirmaram que o veículo de Moon estava na frente da caminhonete de Adriano, o que teria representado que ele havia fechado a passagem da vítima. O policial negou os fatos e chegou a dizer que a afirmação sobre a posição dos carros é falsa. “Sobre essa posição de veículos eu acho até engraçado, houve testemunhas que não disseram sobre a posição dos carros, essa questão de eu ter fechado o carro é falsa, se eu tivesse fechado, deixado o carro atravessado, o que é um cenário incomum, como a distância da batida no poste era cerca de uns 200 metros, eu achei meio óbvio ir até o local de carro, mas parei em linha reta e não atravessado”, contou.
Sobre a distância em que estava da caminhonete no momento dos tiros, demonstrado em fotografia anexada aos autos, Moon negou que estava ao lado do veículo e sim na frente. “È difícil dizer se primeiro eu atirei depois saltei ou se eu saltei e depois atirei e em que momento do espaço temporal e físico eu comecei a atirar, eu não tenho essa certeza, do jeito em pé parado e dessa posição eu nego, eu não sei, estava focando na ameaça”, finalizou.
CRIME
De acordo com a denúncia, no dia do crime, o policial da PRF estaria se deslocando para seu trabalho, na região de Corumbá, quando Adriano Correia, proprietário de um restaurante na Capital, estando na avenida em uma Toyota Hilux com outras duas pessoas, teria feito uma conversão à direita, quase colidindo com o veículo de Moon. O policial teria descido do veículo e abordado o empresário e dois acompanhantes já na posse de sua arma, uma pistola, dizendo que era policial.
As vítimas teriam chegado a descer do carro e solicitado que Moon mostrasse sua identificação, visto que ele não estava fardado (somente com uma aparente calça de uniforme). Diante da recusa do policial, teriam retornado ao veículo. Adriano teria ligado a caminhonete, iniciando manobra para desviar do carro do acusado, que estaria impedindo sua passagem.
Quando o empresário iniciou o deslocamento, o policial teria efetuado disparos contra as vítimas. Após os tiros, o veículo de Adriano prosseguiu por alguns metros e chocou-se num poste de iluminação. Ele morreu no local; outro rapaz saltou do carro e teve fraturas; e um terceiro foi atingido por disparos, mas foi socorrido e sobreviveu.