Apesar da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) já estar tramitando na Assembleia Legislativa, deputados não estão tão animados com o projeto. A maioria ainda não pensou em emendas que deverão apresentar e disseram que precisam ler o texto antes. “LDO é um chutômetro e faz parte de uma peça de ficção. Como vamos saber como vai estar ano que vem? Acho que essas equipes econômicas trabalham com números atrás (anteriores) e creio que eles estão muito otimistas”, declarou o deputado Marçal Filho (PSDB) ao se referir a receita prevista pelo Governo do Estado de R$ 15,8 bilhões para 2020.
O líder do governo na Casa de Leis, deputado estadual José Carlos Barbosa (DEM), o Barbosinha, também considerou a LDO apenas uma indicação “do que propriamente algo que tem que acontecer”. “Governo não tem obrigação de cumprir. Ninguém conhece o Estado como o governo”, reforçou. Mesmo assim, o parlamentar comemora emendas de outros mandatos e que foram atendidas esse ano. “Apresentei pavimentação nos distritos em Dourados, homem no campo, pavimentação em vias do Estado e são investimentos que estão acontecendo como no trecho em Itaporã e Vale do Ivinhema”, lembrou.
O deputado do Democratas também concorda com a ideia de Catan, em que investimentos em infraestrutura, como em estradas e obras, resultam em aumento da arrecadação e por esse motivo, vai continuar defendendo emendas nessas áreas.
Mesmo sem apresentarem algo específico, a maioria das emendas que deverão ser defendidas pelos parlamentares é na área da saúde, infraestrutura e assistência social. “Porque não adianta apresentarmos algo que queremos, temos que ver o que realmente vai passar, a iniciativa é deles (governo), mas a palavra final é da Casa”, declarou o deputado estadual João Henrique Catan (PL).
O deputado do Partido Liberal pretende “inovar”, como ele mesmo disse. “Vou apresentar emenda na área da infraestrutura porque não adianta querermos que aumentem o repasse em áreas importantes se não houver aumento de receita”, justificou. Catan acredita que se o governo investir em infraestrutura vai aumentar a arrecadação e, consequentemente, aumentará recursos para investir em áreas importantes, como saúde, educação e segurança.
Falando em saúde, o deputado Marçal Filho declarou que vai “torcer” para que o governo consiga garantir as obras na área da saúde e que o Executivo entregue as obras antes de acabar o mandato. “Saúde realmente é a mais importante, mas não posso deixar de defender a minha bandeira, que é na assistência social”, disse Marçal.
O tucano acrescentou que vai defender a permanência de psicólogos em escolas para que ocorra a prevenção, principalmente no que diz respeito a doenças como a depressão que tem resultado no aumento de suicídios entre jovens e adolescentes. “Só se lembram quando as tragédias ocorrem e nada é mais importante do que uma vida”, reforçou.
Além da saúde, infraestrutura, a área de assistência social também está tendo um destaque maior entre os deputados. Além de Marçal, Barbosinha também defende que é necessário ter olhar mais sensível à vulnerabilidade em que muitos se encontram. “Vejo que padres, pastores e espíritas fazem um trabalho muito solitário”, considerou.
Mesmo defendendo emendas nas áreas de assistencialismo, os deputados sempre caem na área da saúde. Neno Razuk (PTB) declarou que vai apresentar emendas na área de assistência social e que o assistencialismo é uma das estratégias para para ajudar no desafogamento de doentes na saúde mental.
MENSAGEM DO EXECUTIVO
A LDO chegou na Casa de Leis no dia 31 de maio, na última sexta-feira, mas, de acordo com a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa, a mensagem foi lida na sessão da última terça-feira (03) e inserida no sistema do Legislativo na tarde do mesmo dia.
Todas as quartas-feiras ocorre sessão na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e as matérias são distribuídas para começarem a tramitar na Casa de Leis, porém a LDO não foi entregue aos parlamentares, na última sessão. De acordo com assessoria, a falta do presidente do presidente da comissão, deputado Lídio Lopes (Patriotas) foi o motivo para a não distribuição da proposta. Contudo, a matéria precisa passar por esse trâmite na CCJ e depois será encaminhada a plenário.