Cidades

INVESTIGAÇÕES

Exame de DNA deve apontar envolvidos com pistolagem

Força-tarefa pede levantamento genético para comprovar ligações de guarda municipal

Além de perícia em arsenal bélico, a força-tarefa da Polícia Civil que investiga crimes de pistolagem ocorridos desde o ano passado, em Campo Grande, também solicitou exame de levantamento genético para comprovar o envolvimento do guarda municipal Marcelo Rios e de outros suspeitos nas execuções.

O Correio do Estado apurou que a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) solicitou exame pericial em um par de luvas pretas, toalha na cor azul, um pedaço de papel, além de um sabonete e uma bandoleira - acessório para acondicionar arma, apreendidosnuma casa no Bairro Monte Líbano, onde também foram encontradas armas e munições, no dia 19 de abril.

O objetivo da polícia, segundo apurou a reportagem, é identificar material genético, como cabelo ou resquícios de suor,  que possam ligar suspeitos às execuções.

Para avançar nas investigações, a Polícia Civil conta com o apoio da Polícia Federal, que além de custodiar, também fará os levantamentos genéticos dos objetos apreendidos e os exames periciais nos fuzis, pistolas e munições encontrados com Rios.

Os exames poderiam ter sido feitos no Instituto de Criminalística estadual, mas o apoio dado pela PF dá mais segurança e respaldo aos policiais da força-tarefa da Polícia Civil. Alguns levantamentos, de eficiência de armamentos como fuzis AK-47 de calibre 762 e dos fuzis 556, são mais complexos, daí o trabalho requisitado aos federais. 

GRUPO DE EXTERMÍNIO

Marcelo Rios foi o primeiro dos três guardas municipais investigados por integrar um suposto “grupo de extermínio” a ser denunciado criminalmente. Ele é acusado por quatro promotores do Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de praticar os crimes de posse e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (e também de uso permitido), além de manter munições destas armas.

Ao todo, são 26 armas, sendo dois fuzis AK-47, quatro fuzis 556, 11 pistolas nove milímetros, 4 pistolas .40, uma pistola 380, uma pistola calibre 22, um revólver calibre 357, uma espingarda calibre 12 e outra calibre 22. Por ter sido denunciado em concurso material, ele poderá ser condenado a até seis anos de prisão para cada uma destas armas apreendidas: 156 anos em caso de aplicação de pena máxima. 

Os outros dois guardas investigados pela força-tarefa, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, chegaram a ser presos por obstrução à Justiça, mas conseguiram habeas corpus do Poder Judiciário e foram libertados. O mesmo ocorreu com o motorista Flávio Narciso Morais da Silva. 

CASOS INVESTIGADOS

A força-tarefa criada pela Polícia Civil para apurar crimes de pistolagem tenta elucidar três assassinatos. O primeiro deles ocorreu há quase um ano, no dia 11 de junho de 2018, na Avenida Guaicurus, em Campo Grande. Na ocasião, o policial militar reformado Ilson Martins de Figueiredo, chefe de segurança da Assembleia Legislativa, foi executado com tiros de fuzil AK-47. 

O outro caso investigado é a execução de Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba”. Ele foi executado no Jardim Autonomista, em Campo Grande, dentro de sua caminhonete, em 26 de outubro do ano passado. Ele foi morto com tiros de fuzil, calibre 762, o mesmo dos equipamentos AK-47. 

A execução mais recente, em 9 de abril deste ano, foi a do estudante de Direito Matheus Xavier, 20 anos. Ele também foi morto com tiros de fuzil calibre 762, quando manobrava a caminhonete do pai, em frente à sua casa, no Jardim Bela Vista, em Campo Grande. Os integrantes da força-tarefa não descartam que o alvo da execução possa ter sido o pai da vítima, o capitão reformado da PM Paulo Roberto Teixeira Xavier.

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