Cidades

CIGARRO

Mato Grosso do Sul perde R$ 129 milhões com contrabando

Estudo do Ibope mostra que cigarros trazidos ilegalmente do Paraguai dominam mercado local

Levantamento feito pelo Ibope indica que, por ano, Mato Grosso do Sul deixa de arrecadar R$ 129 milhões em tributos por causa do contrabando de cigarros. Este valor é o que o Estado fica sem recolher de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por causa da forte presença no mercado dos cigarros contrabandeados do Paraguai. 

O mesmo levantamento indica que a participação no mercado local dos produtos trazidos ilegalmente do país vizinho é de 82% no Estado. Sobre o prejuízo aos cofres públicos, a título de comparação, os R$ 129 milhões que deixam de entrar nos cofres do Estado, seriam suficientes para pagar o funcionalismo da Capital, Campo Grande, durante um mês.

O estudo realizado pelo Ibope foi encomendado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), aponta que 77% do comércio ilegal de cigarros se concentra em dez municípios: Campo Grande, Dourados, Corumbá, Coxim, Chapadão do Sul, Maracaju, Cassilândia, Rio Brilhantes, Jardim e Ponta Porã.

O levantamento do Ibope também mostrou uma mudança na forma de venda do produto contrabandeado. Até 2014, os ambulantes monopolizavam este comércio clandestino. Agora, estabelecimentos comerciais devidamente regularizados, como bares (37% ) e mercearias (41%) também passaram a vender os produtos. 

Os dados colhidos pelo Ibope nas cidades de Mato Grosso do Sul também mostra que a marca Classic, com 54% de participação, é a mais vendida dentre as ilegais. No resto do país, as marca Eight  e Gift são campeãs de venda. 

CONTRABANDO

Na semana passada, a Polícia Federal, por exemplo, desarticulou quadrilha de contrabandistas de cigarro que atuavam nas cidades de Naviraí, Mundo Novo e Guaíra (PR). Especialistas alegam que, por o cigarro ser um produto que pode ser vendido legalmente no mercado, e não tem reprovação social, os contrabandistas são aceitos pela população das pequenas cidades onde atuam. Policiais que atuam diretamente no combate à este crime, porém, alertam que, por terem o monopólio das rotas, os contrabandistas de cigarro normalmente se associam a traficantes de drogas. 

MERCADO ILEGAL

A pesquisa ainda aponta que, considerando todo o país, o mercado ilegal de cigarros atingiu um patamar inédito. Em 2018, de acordo com levantamento do instituto, 54% de todos os cigarros vendidos no país são ilegais, um crescimento de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desse total,50% foram contrabandeados do Paraguai e 5% foram produzidos por empresas que operam irregularmente no país.

O principal estímulo a esse crescimento é a enorme diferença tributária sobre o cigarro praticada nos dois países. O Brasil cobra em média 71% de impostos sobre o cigarro produzido legalmente no país, chegando a até 90% em alguns estados, enquanto que no Paraguai as taxas são de apenas 18%, a mais baixa da América Latina.

“Esta é uma luta muito dura e que deve envolver a coordenação de esforços de autoridades governamentais, forças policiais e de repressão, consumidores, indústria e, claro, das entidades que lutam para a redução do tabagismo no país. Somente desta forma vamos conseguir combater a concorrência desleal e promover uma melhoria do ambiente de negócios no País com melhoria de renda, emprego, saúde pública e segurança para todos os brasileiros” acredita Edson Vismona, presidente da Etco.

O levantamento foi realizado em 208 municípios de todo o país, por meio de entrevistas presenciais e com recolhimento dos maços de forma a garantir a precisão da informação. Foram ouvidos 8.266 consumidores entre 18 e 64 anos.

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