Um dos funcionários do Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante (Cetremi), que executa atendimento aos migrantes em situação de risco social, com ofertamento de acomodação provisória, alimentação, documentação e transporte para cidade de origem, sofreu agressões verbais e ameaças de um casal abrigado no local.
Conforme testemunhas, o trabalhador limpava a recepção do prédio na manhã deste domingo (23) quando pediu que Andrea Cabreira da Silva, 44 anos, devolvesse um balde ao alojamento feminino. A mulher começou a xingá-lo com agressividade dizendo, "seu neguinho fedido, você não é cuidador, você é mais podre que nós que mora aqui na casa, você não é bosta nenhuma".
Em seguida, o esposo de Andrea, Antonio Marcos Nunes de Moura, 36 anos, começou a ameaçar o funcionário e empurrando-o com um balde. "Você não é cuidador, você é zelador aqui, quer pagar de cuidador, você é bandido", relatou a testemunha.
Apesar das cuidadoras chamarem atenção do casal, eles continuaram a ofender o trabalhador, além de proferirem ameaças gratuitas."Você não é o bandidão, vamos ver se você é bandido mesmo, vou te pegar lá fora, vamos ver se você é tudo isso mesmo", afirmou Antonio Marcos.
A vítima relatou aos policiais da Delegacia de Pronto Atendimento (Depac Centro), que o abrigado começou a se aproximar dele gritando e outro interno falou que o agressor estaria armado com uma faca.
O trabalhador consegiu fugir e se trancou em uma das salas de atendimento, conseguindo apoio do guarda municipal que faz segurança no local.
O caso será tratado como crime de injúria racial, em razão das agressões e xingamentos terem começado pelo fato do trabalhador ser negro.