Cidades

ALTERNATIVAS

Autoridades dão início a plano para "libertar" Capital da Santa Casa

Paralisações frequentes de profissionais deixam saúde de Campo Grande "refém" da administração do hospital

Com as frequentes paralisações dos serviços na Santa Casa, em função das greves de profissionais, o governo do Estado e a prefeitura planejam medidas emergenciais, além da construção de um hospital municipal em Campo Grande. Proposta semelhante já havia sido ventilada em 2013, pelo então prefeito Alcides Bernal (PP), mas o projeto nunca saiu do papel.
Conforme o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, tanto o governo estadual quanto o municipal estão descontentes com o serviço oferecido pelo hospital e a ausência de diálogo com a atual gestão. “Ficamos incomodados, porque é todo dia notícia de paralisação do serviço na Santa Casa e por falta de pagamento. Mas a Santa Casa tem recursos que ela recebe com regularidade e tem outras fontes de recursos. Então, ela tem condições de honrar esse compromisso com o corpo médico. Logicamente que o repasse do Estado pode ter um atraso pontual, mas ela não pode jogar a responsabilidade de problemas na gestão do hospital em cima do Estado e do município. Estamos fazendo o repasse com muito mais regularidade do que no passado”, garante.

Para resolver o problema, o gestor afirma que ambos os governos têm pensado em soluções emergenciais, além da construção do hospital, que exigirá um pouco mais de tempo. “Estamos pensando num plano B para a gente não ficar dependente da Santa Casa, nós estamos em Brasília discutindo isso. A única saída é contratação de serviços de outros hospitais, inclusive particulares, e em médio prazo, a construção de um hospital municipal”, disse o secretário.

MODELO

Ontem, o secretário municipal de saúde, José Mauro Filho, esteve em Cuiabá para conhecer o hospital municipal Dr. Leony Palma de Carvalho. A unidade mato-grossense foi entregue em dezembro de 2018 e custou R$ 50 milhões aos cofres públicos. 

O hospital conta com 315 leitos, sendo 178 de adultos, 20 leitos no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), 60 de UTI, 38 de emergência, 6 salas de cirurgia e 13 leitos de recuperação pós-anestesia (RPA), em um total de 21 mil metros quadrados de área construída.

O Correio do Estado tentou falar com o secretário de saúde de Campo Grande para saber detalhes sobre o projeto do hospital da Capital, mas ele disse que não poderia atender a equipe no momento. 

PLANO ANTIGO

Desde o início dos anos 2000, a Santa Casa enfrenta dificuldades. Em 2005, com aval do Ministério da Saúde, o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) decretou intervenção no hospital e assumiu o controle da instituição, que tinha uma dívida de R$ 37 milhões com bancos, fornecedores e concessionárias de telefone, energia e água. A situação foi controlada, até que o hospital voltou para as mãos da Associação Beneficente de Campo Grande, retomando a crise.

Em 2013, o então prefeito Alcides Bernal (PP) já havia anunciado que planejava a construçãode um hospital municipal para resolver a crise na saúde de Campo Grande, mas a unidade nunca saiu do papel. 

No ano de 2016, Bernal anunciou que toda a estrutura prevista para o hospital seria implantada no Hospital do Pênfigo, por meio de convênio de R$ 2,5 milhões com a prefeitura. A instituição disponibilizaria à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), 60 leitos clínicos e seis unidades de terapia intensiva. Assim, o hospital serviria de “retaguarda” ao atendimento das nove unidades de urgência e emergência, além da Santa Casa.

GREVES

Ontem, os médicos que trabalham na Santa Casa sob regime celetista tomaram decisão de paralisar 70% das atividades, se não receberem os salários atrasados até sexta-feira (28). Conforme informado pelo Sindicato dos Médicos, a justificativa que receberam da instituição foi de que o repasse feito pela Prefeitura de Campo Grande não aconteceu de forma integral, mas deve ser concluído até dia 28. 

Diante da informação, a categoria confirmou que aguardará por 72 horas a efetivação do pagamento e, caso não aconteça, paralisará 70% dos atendimentos ambulatoriais, cumprindo o porcentual mínimo de 30% de atendimento nos serviços de urgência e emergência.

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