Cidades

PRESO EM CAMPO GRANDE

Adélio diz que esfaqueou Bolsonaro "após ouvir voz de Deus"

Autor de atentado prestou novo depoimento nesta segunda

Redação

20/08/2019 - 09h52

O delegado Rodrigo Morais, da Polícia Federal, esteve nesta segunda-feira (19) no presídio de Campo Grande onde está Adélio Bispo de Oliveira, preso por esfaquear o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha em setembro do ano passado.

Em mais um interrogatório Adélio reafirmou que agiu sozinho, pois ouviu uma voz de Deus, afirmou o delegado. Ainda segundo o policial, Adélio disse que esfaqueou Bolsonaro por inconformismo político, e por não concordar com o discurso político do candidato.

“Não acrescentou nada de novo às investigações. Ele foi ouvido na condição de mero informante, pois foi declarado absolutamente incapaz pela Justiça, em razão do diagnóstico de Transtorno Delirante Permanente Grave”, afirmou o delegado.

O atentado aconteceu em 6 de setembro do ano passado, quando Bolsonaro, ainda como candidato a presidente da República, participava de um ato de campanha em Juiz de Fora. Adélio Bispo foi preso no mesmo dia e, segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, confessou ter sido o autor da facada.

O interrogatório de Adélio desta segunda-feira foi para o segundo inquérito que apura se houve “participação de terceiros ou grupos criminosos por trás da ação” de Adélio Bispo. Ele foi preso em flagrante logo após o atentado e confessou a autoria do crime contra o então candidato a presidente.

Morais disse ainda que a tendência é terminar a apuração o mais breve possível. “Pois não há qualquer suspeito que possa ter se aproveitado da condição e da predisposição do Adélio para incentivá-lo a praticar o ato”.

Com relação aos advogados de Adélio, o delegado disse que não foi possível confirmar se alguém pagou os honorários ou se eles “abraçaram a causa apenas para promoção”, pois o acesso ao telefone de Zanone Júnior, um dos defensores, foi negado pela Justiça.

Adélio está internado por tempo indeterminado no Presídio de Campo Grande. Na sentença, o juiz aplicou a figura jurídica da "absolvição imprópria", na qual uma pessoa não pode ser condenada. No caso de Adélio, ficou constatado que ele é inimputável, ou seja, não pode ser punido por ter doença mental.

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