Quando o arquiteto Felipe Lordello, 34 anos, decidiu comprar um patinete elétrico, não imaginava que ficaria tão empolgado com o novo transporte. “É um veículo legal, pequeno, portátil e rápido”, defende.
Morando no centro de Campo Grande, Felipe escolheu o patinete pela facilidade que o veículo oferece para ir a pequenas distâncias. “Eu moro a 12 quadras do meu trabalho, cerca de 1,5 km. Eu costumava fazer o percurso de carro e levava, em média, 10 minutos, enquanto com o patinete eu levo apenas 5 minutos”, explica.
Com todos os equipamentos possíveis de segurança, luzes adicionais no patinete e muita cautela, Felipe ressalta que o veículo pode conviver de forma harmoniosa com bicicletas e pedestres. “É importante ter a responsabilidade no trânsito. Ele é como qualquer outro veículo e tem de seguir as mesmas regras, andar pela faixa de rolagem, não pode ir pela calçada”, ressalta.
Mobilidade
A mobilidade de uma cidade é definida pela capacidade que as pessoas têm de chegar aos lugares comuns da vida cotidiana, como a escola, o comércio, o trabalho e os hospitais. Mas, longe de significar apenas o transporte público ou privado, a mobilidade estuda como oportunizar a acessibilidade, a segurança e o bem-estar dos moradores.
“A melhor política de mobilidade é fazer com que o trabalho, os serviços, o comércio, a educação e a saúde estejam próximos das pessoas. É preciso criar condições para que as pessoas trabalhem perto de suas casas, que diminuam o tempo que gastam no transporte de um ponto para outro e possam utilizar esse período para outros benefícios, como o lazer”, explica Dary Werneck da Costa, engenheiro e professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Para o professor, o futuro da mobilidade é criar políticas dentro de empresas que priorizem a contratação de funcionários próximos do local de trabalho. “As empresas não têm uma política de empregabilidade local. Nós somos o 7º maior perímetro urbano do País, a cidade é muito espalhada e isso prejudica a mobilidade”, esclarece.
Segundo o professor, o futuro reserva uma diminuição de veículos pessoais na cidade e um crescimento nos serviços de transporte mais baratos, como o Uber. “Acredito que quem nascer hoje nem vai tirar a carteira de motorista daqui a 20 anos. As pessoas não terão mais o interesse em ter veículos pessoais, que é um investimento caro para a maioria da população”, acredita Costa.
Felipe já entrou nessa onda. Além do patinete, o arquiteto prefere utilizar o Uber ao próprio veículo. “Eu faço um pouco desse misto, o Uber e o patinete. Eu tenho um carro, um fusca, e eu saio com ele de vez em quando, mas uso mesmo como hobby, por gostar de carro antigo”, afirma.
CORREDORES DE ÔNIBUS
Para suprir a necessidade de transportes alternativos, a cidade precisa investir em outras medidas, como ciclovias e corredores de ônibus, que podem facilitar o trânsito. “Os corredores de ônibus normalmente funcionam”, explica Costa.
E eles estão no centro de discussão do poder público. Neste mês, o prefeito Marcos Trad (PSD) descartou a criação de um corredor de ônibus na Avenida Afonso Pena, ao publicar um decreto que tomba o canteiro como patrimônio da cidade. Uma alternativa seria alterar a rota dos ônibus que têm o trajeto fixo na Afonso Pena para as ruas paralelas à avenida, como a 15 de Novembro, a Barão do Rio Branco e a 7 de Setembro.