Imprudência, vias danificadas e sinalização inadequada. A combinação desses fatores traça um cenário no qual motocicletas e ciclomotores protagonizam a maioria dos acidentes de trânsito no País. Em Mato Grosso do Sul, nos últimos 10 anos, os acidentes de moto mataram 3.198 pessoas e deixaram outras 47.518 inválidas. Os dados são do boletim especial Motocicletas e Ciclomotores Dez Anos, produzido pela Seguradora Líder e divulgado nesta sexta-feira (30), com o objetivo de dar visibilidade ao grave problema de violência no trânsito brasileiro.
Conforme os dados, de 2009 a 2018, o Seguro Dpvat pagou mais de 64.646 indenizações por ocorrências envolvendo motocicletas e ciclomotores em Mato Grosso do Sul, entre mortes, invalidez e despesas de assistência médica. Na comparação entre 2009 e 2018, o número de mortes diminuiu 10%. No entanto, no mesmo período, os casos de invalidez permanente quadruplicaram de 1.024 para 4.699. Enquanto as indenizações por despesas médicas cresceram 9%.
Entre os acidentes com morte, a maioria é relacionada com condutor (61%), em seguida, pedestres (27,8%) e, por último, passageiros (12%). No caso das indenizações por invalidez não é diferente, 58% são pagas a condutores, 30% para pedestres e 12% a passageiros.
“A moto é um veículo de baixa participação na frota nacional que, ainda assim, é o que mais mata no trânsito brasileiro. Isso é consequência, principalmente, da imprudência. Muitos não usam capacete e outros equipamentos de segurança ao usarem esses veículos. É fundamental que os condutores saiam das autoescolas conscientes da importância da utilização dos itens de segurança e dos perigos de se misturar álcool e direção, bem como do respeito à sinalização”, explica o Arthur Fróes, superintendente de Operações da Seguradora Líder.
Para o comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar de Campo Grande, muito embora a violência no trânsito tenha reduzido, o motociclista continua sendo a principal vítima por estar mais exposto e, na maioria das vezes, se comportar de forma imprudente. “A exposição é maior no veículo de duas rodas do que no de quatro rodas. Além disso, o motociclista tem um comportamento muito mais imprudente. E isso resulta na sociedade além da perda humana. Você tem um prejuízo na previdência social, na questão laboral, porque ele fica sequelado, na estrutura familiar, que é afetada porque a maioria das vítimas é homem, provedor da família, que acaba inválido, então, essa questão vai além do acidente, é social”, explicou.
Ainda conforme o comandante, além da conscientização, a solução viria de políticas públicas que incentivem o transporte coletivo. “Com uma política nacional voltada ao desenvolvimento do transporte coletivo, a gente teria uma redução dessa violência, porque não adianta o cidadão se conscientizar, uma vez que o acidente de é inerente ao trânsito, sempre vai haver falha mecânica, falha humana, então, um fator preponderante é parar de incentivar o transporte individual e trabalhar a política do transporte coletivo”, considera.
NACIONAL
As estatísticas nacionais seguem o mesmo comportamento. Entre as regiões brasileiras, o Sul concentrava a maioria das indenizações pagas por acidentes com motocicletas e ciclomotores (55.007 benefícios pagos). No entanto, com um crescimento de frota de mais de 137% nos últimos 10 anos, o Nordeste se tornou a área que mais conta com vítimas indenizadas pelo Seguro Dpvat em função de ocorrências com motos. No recorte por estado, São Paulo lidera o ranking em quantidade total de indenizações pagas. Em dez anos, foram 344.134 pagamentos, destes, 27.198 por morte. O Ceará é o segundo colocado, com mais de 335 mil benefícios pagos.
MORTES
Envolvendo motocicletas e ciclomotores foram registradas no trânsito, entre 2009 e 2018. Neste ano, as ocorrências continuam. Na terça-feira (27), motociclista morreu depois invadir a preferencial, bater em um carro e ser atropelado por um ônibus, no cruzamento entre as ruas Guia Lopes e 26 de Agosto, em Campo Grande. Na quinta-feira (29), rapaz de 28 anos morreu após perder o controle da direção moto que pilotava e bater em uma árvore, em Dourados.