Cidades

MILÍCIA ARMADA

Justiça concede habeas corpus e advogado preso em operação será solto

Ele foi apontado como responsável por atividades de apoio

Desembargador Sideni Soncini Pimentel, plantonista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, concedeu liminar que revoga prisão temporária e determinou a soltura do advogado Alexandre Gonçalves Brandoloso, suspeito de integrar organização criminosa especializada em crimes de pistolagem, em Campo Grande. 

O advogado foi preso ontem (27),   em operação que combate milícia armada especializada em crimes de pistolagem, denominada Omertá. Ao todo, 19 pessoas foram presas, entre elas o empresário e pecuarista Jamil Name, o filho dele, Jamil Name Filho, quatro policiais civis, quatro guardas municipais, um policial federal, um militar do Exército, um caseiro de propriedade rural e também profissionais do Direito.

O habeas corpus foi impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS), sob argumento de que o advogado estaria sofrendo constrangimento ilegal praticado pelo juiz da 7ª Vara Criminal, que determinou a prisão preventiva.

Conforme os autos, os fundamentos que justificaram a prisão preventiva consistem no fato de que Brandoloso faz parte de organização criminosa, responsável pelas atividades de apoio, traduzidas em logística, segurança e suporte nas atividades ilícitas, especificamente na ocultação de documentos pertinentes.

No habeas corpus, a OAB alega ausência de fumus comissi delicti, posto que inviável a decretação da prisão temporária se ausente fato típico e aiusência de periculum in libertatis, que não foi indicado na decisão. Ainda conforme a defesa, o paciente exerce atividade lícita, é primária, tem bons antecedentes, residência fixa e escritório profissional, não sendo preenchidos requisitos para a prisão temporária.

Segundo consta dos autos, atribui-se ao advogado “desvio absoluto de conduta ética e a pretexto de fazer a defesa técnica de Marcelo Rios, atuou criminosamente para impedir que as investigações chegassem aos líderes da organização criminosa, Jamil Name e Jamil Name Filho”. Entre as atitudes atribuídas a Brandoloso, que o coloca ligado a organização criminosa, está quando a mando de Jamil Name Filho ele teria colocado em prática plano para impedir que testemunha colaborasse com as investigações.

Na decisão, o desembargador plantonista afirma que “analisados os autos, percebe-se sem muito esforço, que a há utilização de referência vagas, como “atuou criminosamente”, “indícios de prática de crime” e ligado a organização”, sem fazer referência à figura típica em que se entende incurso o advogado.

“A meu juízo, entendo que não é possível a decretação da sua prisão temporária”, diz o magistrado,que deferiu a liminar pleiteada e determinou a revogação da prisão temporária decretada em desfavor do advogado.

MILÍCIA ARMADA

Os assassinatos de pelo menos três pessoas estão relacionados com o grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Os crimes investigados pelos policiais do Garras e do Gaeco são de homicídio e corrupção ativa e passiva. Os responsáveis pelo inquérito também falam em uma “milícia armada”.

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