Por maioria de votos, vereadores de Campo Grande aprovara moção de repúdio contra o Especial de Natal Porta dos Fundos - Primeira Tentação de Cristo, exibido pela plataforma de streaming Netflix. O assunto polemizou a sessão ordinária desta terça-feira (17) e deixou muitos prós e contras. Moção foi aprovada por 15 votos favoráveis e quatro contrários.
O vereador Eduardo Romero (Rede) se recusou a assinar a moção e no início da discussão explicou que mesmo com o respeito a fé de cada pessoa, não é necessário fazer polêmica, já que na democracia existe liberdade de expressão. "Tenho respeito a fé de todos, em particular a minha, mas existe a liberdade, a democracia, o conteúdo é pago, só para assinantes, tem acesso ao conteúdo quem quer", disse.
Autor da moção, André Salineiro (PSDB) defendeu que ambas as empresas que produziram e exibiram o especial demonstram profundo desrespeito com a fé cristã. "A família e a fé são os nossos alicerces e assim sendo é inadimissível tamanha afronta a esses preceitos. A Netflix respondeu que entende que tem gente que pode nao gostar do conteúdo. Com certeza! 80% da população do Brasil é cristã e não podemos aceitar isso" disse o parlamentar.
No Brasil inteiro o conteúdo está sendo criticado pela liderança evangélica. Bispos e pastores estão orientando fiéis a cancelarem assinaturas da Netflix.
PROGRAMA
O especial intitulado "A Primeira Tentação de Cristo" cita a passagem do Evangelho de Lucas que narra o início do ministério de Jesus movido pelo Espírito Santo, quando ele se recolhe em jejum e é tentado por satanás. Na versão do programa, o personagem decide passar esse tempo fora para "se encontrar", como um mochileiro que viaja para o exterior com com intuito de "ter experiências".
Lá, Jesus conhece e inicia um relacionamento com Orlando (Fábio Porchat), um jovem com aparência semelhante à de Roberto Leal que se revela a representação do mal.
Autor do roteiro, Fábio Porchat disse em rede social que o especial traz abordagem do grupo em relação a temas religiosos e ironizou críticas. "Está de boa, não precisa se preocupar não. Agora pode voltar a se indignar com a desigualdade que destrói nosso país. Mas tem que se indignar com o mesmo fervor, está bem?", diz a publicação.