Uma interna de 38 anos, que não será identificada, do Instituto Penal Feminino Irmã Zorzi, em Campo Grande, está esperando por uma cirurgia de retirada de útero há meses. O advogado da mulher já até entrou com pedido na justiça para a realização da cirurgia, mas ele ainda não foi atendido. Segundo apurado pelo Correio do Estado, o sangramento acontece desde junho de 2019.
De acordo com exames realizados, o motivo do problema seria alguns miomas de estágio três no útero, porém não há informações se eles são malignos ou benignos. Como consequências, o mulher sente intensas dores de cabeça, tem alguns nódulos nas partes íntimas, problemas bocais e anemia crônica, além dos sangramentos. “Às vezes precisam trocar o lençol três; quatro vezes numa noite; Ela usa em média 4 pacotes de absorvente por dia; Tem vezes que precisa usar fralda”, disse um familiar ao Correio do Estado.
Conforme ele, a mulher, que está presa há dois anos, às vezes é levada para alguma unidade de saúde para realizar exames, mas que nunca há solução. Ele também denuncia um descaso por parte da sistema penal, que por vezes não fornece remédios e atendimento de saúde na penitenciária. Ela inclusive foi retirada do serviço do serviço para redução da pena, que está em sete anos.
Segundo familiar, o sistema alega que ela está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer a cirurgia. Além disso, é solicitada para a família da interna a compra remédios básicos para dores.
A assessoria da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) foi procurada pela reportagem e informou, em nota, que "a interna recebe acompanhamento médico regular na unidade prisional. A solicitação de cirurgia já foi feita e regulada pelo sistema Sisreg [Sistema Nacional de Regulação], mas aguarda vaga pelo SUS. Tudo o que a Agepen pode fazer está sendo feito com relação à custodiada. É importante entender que a liberação dessa vaga não depende da Agepen, mas do sistema de saúde, como ocorre com qualquer pessoa que depende do SUS", diz o texto.
* Colaborou Yarima Mecchi
* Matéria alterada dia 08/01/2020 às 13h26 para acréscimo da resposta da Agepen