Na época de verão são comuns o aumento de acidentes por picada de escorpião e com eles as preocupações dentro das residências, já que crianças e idosos são casos delicados em casos de picadas. Em 2019, foram registrados 742 acidentes envolvendo esses animais peçonhentos em Campo Grande e somente nos primeiros 15 dias de 2020 foram 19 casos registrados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) - uma média de 1,2 casos por dia neste ano.
Segundo a técnica do Serviço de Controle de Roedores e Animais Peçonhentos e sinantrópicos (Scraps) do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Capital, Christianne Brandão, neste período, de dezembro a março, a um aumento no número de animais e consequentemente há um aumento nos ataques. “Este período que a gente chama de verão há o aumento de ataques porque eles estão no período de acasalamento, então eles estão se movimentando mais. No caso do não acasalamento, é por conta do nascimento, por isso há essa proliferação”, disse ela ao Correio do Estado.
Em dezembro, uma criança de 6 anos foi picada pelo animal enquanto brincava no quintal de um vizinho, na véspera de Natal do ano passado, no Jardim Campo Nobre. A menina chegou apenas com 30% do coração funcionando ao hospital e entrou em coma, segundo médico do Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), Sandro Benites, que atendeu a vítima no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS). Ela se recuperou do acidente e já teve alta.
As ocorrências de picadas de escorpião no município tiveram aumento de 46% nos últimos quatro anos, conforme mostram os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Em 2018, foram 688 casos registrados na Capital, sendo a maioria deles no período que acende o alerta para os cuidados.
Brandão disse que este aumento pode ser devido a alguns fatores, como mudança climática, já que o calor contribui para a incidência do escorpião e por outro lado dificulta a de seus predadores, como os anfíbios, que preferem lugares úmidos e frescos. “Outro motivo é que aqui em Campo Grande, há alguns anos atrás, havia muitos córregos abertos que foram cobertos. Assim, acabou que dificultou o acesso dos pássaros, que são outros predadores, até eles”, explicou ela.
Em contrapartida, a rede de esgoto, que cresce cada vez mais, facilitou a entrada dos peçonhentos nas residências, através dos ralos, buracos de pias, vaso sanitário e etc. “A gente, de certa forma, contribui para a proliferação de insetos [baratas; moscas], que são alimentos e atraem os escorpião”, enfatizou ela, que também comentou que o ser-humano acaba “expulsando” outros predadores naturais, como roedores, lagartixas e sapos, das casas, em benefício do escorpião. “É um ciclo biológico natural, que a gente interfere”, finalizou.
Em comparação com as zonas rurais, a técnica avalia que a incidência de ataques é bem menor que na cidade. “Apesar de ter escorpiões também, há muito mais predadores disponíveis, por isso os números de casos são menores”, disse.
CUIDADOS
A técnica do Scraps recomenda que quando alguém encontre um escorpião em casa e consiga matá-lo é importante que leve o espécime até o CCZ. “Depois de morto, coloque em um recipiente com álcool”, disse. Caso aconteça a picada, ir imediatamente a um centro médico, se possível, com o escopião capturado para que seja aplicado o antídoto correto. “Mesmo que não seja possível que uma equipe do CCZ recolha o animal na unidade de saúde, nós vamos depois na residência dela recolher e fazer uma perícia”, contou Christianne.
A enfermeira Tatiana Sabedra citou que, em caso de picada, não é recomendado o uso de analgésicos; não aplicar substâncias (álcool, perfume ou urina); não cortar ou perfurar o local; e não amarrar ou fazer torniquete.
Para prevenir a entrada de escorpiões em casa, Christianne orientou que seja feita a vedação de ralos e buracos de pias, com telas ou peneiras e só abrir quando for usada. “Mesmo no banho deixar o ralo fechado, porque durante o banho a vazão de água é pequena e eles são bons nadadores”, disse ela. Outra dica é jogar água sanitária no chão, nas pias e no vaso sanitário, mas deixar agir e não dar descarga. “Deixar os ralos e buracos sempre fechados porque a água sanitária pode irritar eles e fazer eles entrarem dentro de casa. E se entrarem podem se esconder dentro da residência e se reproduzir, se for fêmea principalmente porque ela se auto reproduz”, finalizou.