Cidades

PERIGO

Anhanduizinho tem dois bairros de alto risco para dengue

Risco nesta área de Campo Grande varia de alto a moderado

Adriel Mattos

05/02/2020 - 11h00

A região do Anhanduizinho, a mais populosa de Campo Grande, tem dois bairros com avaliação de risco “muito alto” em relação a dengue, a mais alta da escala feita pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Conforme a tabela, ao todo são sete bairros com esta classificação na Capital.

Na região, os bairros que mais preocupam são o Aero Rancho, com mais de 45 mil habitantes e que é o mais populoso de Campo Grande, e o Parati. A região, porém, tem bairros que variam de risco alto a moderado, mas nenhum está nas menores classificações de risco baixo e zero.

Por isso, ontem (4) teve início oficialmente a “Operação Mosquito Zero – É matar ou morrer”. A ação contará com 300 agentes de endemias da Sesau, 19 caminhões, cinco equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e seis pontos de descarte de materiais inservíveis.

Por ser o setor mais populoso da Capital, a operação é maior que a anterior, realizada na região do Imbirussu, onde foram vistoriados 4.202 imóveis, 4.950 depósitos, com 250 focos eliminados, e 17 caminhões caçamba recolhidos das quatro áreas de descarte. “O que trouxe o resultado mais positivo, sem sombra de dúvidas, foi a ação dos moradores. Eles acordaram”, avaliou o prefeito Marcos Trad (PSD).

De dezembro até agora a Sesau contabiliza 2.165 focos de dengue eliminados pelas equipes de endemias, além de 196.572 imóveis trabalhados e 75.828 depósitos eliminados.

Em Campo Grande, até o dia 31 de janeiro, foram notificados 1.776 casos de dengue, sendo que uma pessoa morreu. Além disso, tiveram 21 notificações de zika e 11 de chikungunya. Os dados, segundo o secretário de Saúde, José Mauro de Castro Filho, representam 50% do valor registrado na epidemia do ano passado. “Isso demonstra que há necessidade desse tipo de ação, porque senão a gente não teria participação da população. É importante para a gente sensibilizar a população e tentar combater os criadouros”, avaliou Filho.

Cerca de 80% dos focos encontrados estão dentro de residências e 20% dessas residências não tem acesso aos profissionais. “Então foi necessário ações judiciais para eles poderem ter acesso. E uma vez dentro desses imóveis é preciso fazer a limpeza e o proprietário muitas vezes não é conhecido, são terrenos que muitas vezes são de inventários, o proprietário já morreu. Isso faz com que a gente tenha que tomar atitudes pelo proprietário, que é fazer a limpeza, e tem que ter maquinário pesado. Essas ações envolvem outras secretarias, como a de Obras e Procuradoria-Geral do município”.

Para tentar reduzir o abandono desses terrenos, a prefeitura tem atuado de forma mais incisiva com a aplicação de multas. “A gente precisa utilizar dessa ferramenta como uma forma educativa e até uma restituição desse imposto. Mas a gente precisa atuar de uma forma mais ampla, que é o que estamos fazendo este ano. O outro seguimento é na assistência, nós nos empenhamos em rever melhor nosso protocolo, estruturar melhor nossas unidades para que também possamos ter um manejo clínico adequado desses pacientes e evitar os óbitos”, disse o titular da Sesau.
Ainda de acordo com o prefeito, a ação feita na região do Imbirussu resultou em “redução substancial em todas as unidades de saúde. Fez efeito e por isso a gente está nesse segundo momento”. A ação começou no dia 1º de fevereiro na região e segue até o dia 11. Todas as regiões da cidade serão visitadas durante o período de proliferação do mosquito que transmite dengue e outras doenças.

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