Terminou neste sábado (29) a formação continuada dos professores das duas escolas cívico-militares de Campo Grande. Essa capacitação faz parte dos planejamentos para início do ano letivo das unidades.
Selecionadas para o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), do Ministério da Educação (MEC), essas unidades vão ter militares do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM) para auxiliar na gestão e ensino das unidades, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SED). A Escola Estadual Marçal de Souza Tupã-Y, no Jardim Los Angeles, região sul de Campo Grande, receberá a PM. Já a Escola Estadual Alberto Elpídio Ferreira Dias, no Jardim Anache, no norte da Capital, terá apoio de bombeiros.
Para o coronel da PM Carlos Hudmax Evangelista Ortiz, que vai atuar na escola do Jardim Los Angeles, o programa já é motivo de orgulho. “Está sendo um grande desafio, MS tem pioneirismo como marca e com o programa não será diferente, estamos nos dedicando para que as escolas cívico-militares alcancem o sucesso e se transformem em modelo para outros estados”, afirmou.
O coronel reforçou que a função dos policiais será de colaboração com os educadores. “A missão é trabalhar questão educacional, comportamental, hábitos saudáveis, positivos, através de exemplos, práticas positivas, proporcionando ao estudante, com esses preceitos, dedicar-se mais aos estudos e ter oportunidade de crescimento profissional e como cidadão”, finalizou.
PECIM
Anunciado em setembro de 2019, o Pecim deve implementar mudanças em 216 colégios até 2023, começando com 54 em 2020. O modelo será levado, preferencialmente, para regiões que apresentam situações de vulnerabilidade social e baixos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
No último dia para estados e interessados se inscreverem no programa, o governo do estado anunciou a indicação das duas escolas de Campo Grande para o Pecim. A SED realizou uma consulta pública nos dois bairros, tendo 93% de aprovação no Anache e quase 80% nos Los Angeles.
Para a seleção, o MEC levou em conta critérios como a escola inscrita estar na capital do estado ou pertencer à região metropolitana, estar situada na faixa de fronteira; e a faixa populacional, considerando a realidade estadual. Logo no lançamento, o governo abriu prazo para as unidades da Federação manifestarem interesse. Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e outros 14 estados aderiram. Depois, foi a vez dos municípios, e mais de 600 cidades pediram para participar — incluindo Corumbá.
As famílias dos alunos das duas escolas cívico-militares de Campo Grande serão peça-chave no funcionamento das instituições, como noticiou o Correio do Estado no mês passado. Além de participar das reuniões, os pais ou responsáveis deverão ir a encontros da comunidade escolar.
Com a entrada dos militares nas escolas, os educadores podem focar na gestão da escola. “O que acontece hoje é que a direção e a coordenação das escolas trabalha muito em função da correção disciplinar dos estudantes e os outros serviços da escola vão ficando para trás. Com esse apoio dos oficiais do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, nosso trabalho será mais voltado à questão administrativa e pedagógica, porque a questão disciplinar esses oficiais vão tomar conta”, afirmou na época a então diretora da escola Professor Tito, Eliana Prado Verneque Soares.
Com esse vínculo, os educadores esperam diminuir que preocupa, a evasão escolar, que é quando o aluno, por qualquer motivo, deixa de ir à escola. “O objetivo macro é o aprendizado do estudante e diminuir a evasão. Precisamos resgatar esses meninos, para que a escola seja interessante para eles”, disse.
As disciplinas do currículo comum, como Língua Portuguesa e Matemática, serão mantidas e ministradas por professores da SED. Os militares vão contribuir em outras atividades. Entre as matérias eletivas, que o estudante pode escolher seguir, está a Educação para a Cidadania.
EQUIPES
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) já nomeou os militares que atuarão nas escolas da Capital. São três policiais militares e dez bombeiros.
Da PM, foram convocados o tenente-coronel Cícero Aparecido Pereira, a subtenente Erenice da Conceição Rodrigues Mendes e a 3º sargento Valdete Domiciano Pinto. Segundo o Comando-Geral da corporação, mais dois militares da ativa comporão a equipe.
Pereira já é membro da equipe de trabalho da Secretaria de Estado de Educação (SED) que está organizando o cronograma das primeiras semanas de aula na unidade. Além dele, compõe o grupo o coronel Hudmax Evangelista Ortiz.
Do Corpo de Bombeiros, voltam à força os subtenentes Edimalso Raimundo de Lima, Luis Alberto Mota, Marcio Aparecido Ribas, Nelson Martins Amorim e Rozival de Souza; além dos 1ºs Carlos Antônio Gonçalves, Joirson Sebastião Pereira, Leivas Leite de Oliveira, Valdeci Alves Calisto, Walter José da Silva Nascimento.