Cidades

NEGROS E PARDOS

Cotista reprovado em comissão não será eliminado de concurso da UFMS

Candidatos poderão concorrer na ampla concorrência

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) acatou recomendação do Ministério Público Federal e alterou edital do concurso público para técnicos administrativos em educação, referente a candidatos inscritos no sistema de cotas para negros e pardos. Inicialmente, o certame previa eliminação dos inscritos nessa modalidade que não fossem aprovados pela comissão de heteroidentificação e, com a alteração, os reprovados poderão realizar o concurso pela ampla concorrência.

O candidato que se autodeclara negro ou pardo passa pela comissão avaliadora antes mesmo da realização das provas objetivas. Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão recomendou que, caso o cotista não tiver a autodeclaração confirmada pela comissão, ele não seja eliminado, como previa o edital inicial, mas seja transferido para disputar uma vaga junto aos candidatos não cotistas.

Ainda na recomendação, o MPF pediu que fosse inserido um novo dispositivo no edital, com objetivo de assegurar a eliminação apenas de candidatos que apresentarem declaração falsa, ou seja, os que se autodeclararem negros ou pardos comprovadamente com propósito de fraudar a política de cotas. Segundo o órgão, apenas a reprovação na comissão não é suficiente para alegar má-fé por parte do candidato, uma vez que a análise fenotípica dos indivíduos é subjetiva.

"Há evidente distinção entre 'declaração falsa', hipótese prevista pelo legislador para punir os candidatos que atuaram dolosamente com o propósito de burlar a política de ação afirmativa, e a 'autodeclaração não confirmada' consagrada no ato infralegal, que se refere à mera discordância de uma comissão avaliadora a respeito do pertencimento do candidato a determinada raça/etnia. Isso não presume, por si só, a má-fé", disse a Procuradoria no documento. 

UFMS acatou a recomendação e promoveu alterações no edital, acrescentando que os inscritos na modalidade de ampla concorrência também possam mudar a inscrição e concorrer no sistema de cotas, caso estejam dentro das regras para tanto.

“De todo modo, os candidatos que comprovadamente tentarem burlar a política de ação afirmativa por meio de aparatos artificiais terão de fato sua participação no concurso vetada”, afirma a instituição.

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