Cidades

PANDEMIA

Para evitar lotação, prefeito pede mais ônibus nas linhas do transporte coletivo

Marcos Trad pediu ainda materiais para evitar contágio do novo coronavírus

Adriel Mattos

17/03/2020 - 08h15

Em reunião na segunda-feira (16) com o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine de Lima Bruno, e João Rezende Filho, diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, concessionária que opera o transporte coletivo, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), recomendou que o grupo disponibilize mais ônibus nas linhas para evitar lotação. A medida é para evitar o contágio da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Ao Correio do Estado, Trad disse que não tem poder de obrigar. “Foi apenas um pedido, não temos o poder de determinar, até porque eles tem um contrato, e fazendo todas essas exigências, pode ter algum custo para as empresas”, explicou. O prefeito ouviu do diretor-presidente do consórcio que iria reunir a direção do grupo para tomar uma decisão.

O Correio do Estado entrou em contato com João Rezende Filho, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Trad relatou ainda que pediu que sejam tomadas outras medidas de prevenção. “Eigimos deles medidas de cautela, álcool em gel, máscaras, de abertura de todas as janelas dos ônibus, a disponibilidade de novos ônibus pelo menos nos próximos 20 dias”, finalizou.

 

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IDOSOS

Federações de indústrias, comércio e outros grupos empresariais formaram o Comitê de Monitoramento de Crise (CMC) da Covid-19 na segunda-feira. O presidente do CMC, Sérgio Longen - que é o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiems) -, explicou que as primeiras ações do grupo são as voltadas a área de saúde. “A ideia, por exemplo, é que a gente fortaleça o transporte coletivo com ações que poderão amenizar os impactos. Muitos nesse momento tem usado os ônibus na gratuidade, talvez a gente possa reduzir um pouco desse transporte gratuito, fazendo com que diminua o número de idosos, por exemplo, no transporte coletivo neste momento. São demandas que foram colocadas na mesa e nós vamos tentar a partir daqui estruturar uma ação organizada para essa demanda”, relatou.

RECOMENDAÇÃO

No sábado (14), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), disse em entrevista ao Correio do Estado, para a população para evitar ônibus lotados. “O transporte público também deve se organizar, a cidade precisa organizar fluxos, horários, para descomprimir o horário de pico”, afirmou.

Entre as sugestões feitas pelo ministro, ele observou em relação ao horário de abertura das empresas, geralmente entre 7h e 8h, quando os funcionários já devem estar no local para iniciar o dia de trabalho.

“[É necessário] organizar o horário das empresas, não precisa todo mundo abrir às 7h, pode ser às 9h ou às 10h, para não lotar o ônibus”, disse Mandetta.

A organização do fluxo para utilização do transporte coletivo é a principal preocupação de Mandetta em relação à disseminação do vírus, que tem uma particularidade. O coronavírus, em comparação ao H1N1, por exemplo, é mais contagioso e menos letal.  

“Tem diferença [entre coronavírus e H1N1] porque a transmissão deste agora é muito maior, a letalidade do H1N1 era de gestante e jovens. Essa discussão sobre aulas era muito maior, era terrível ver jovens e gestantes falecerem por H1N1, como aconteceu em Campo Grande (na época do surto, em 2009, quando ele era o secretário municipal de Saúde). Mas as transmissões eram menores. Nesse agora eu acho que a gente pode ter uma transmissão maior e uma letalidade menos dramática, porque esse vírus não me parece que tenha letalidade de jovens. Mas a letalidade daqueles que têm doenças associadas chega a 15%, 20%, na última faixa etária”, explicou o ministro.  

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