Cidades

EFEITO COLATERAL

Covid-19 prolonga a espera de 4 mil pessoas por cirurgias eletivas

Procedimentos estão suspensos desde março; há casos de cardíacos que precisam de atendimento

A fila para cirurgia eletiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campo Grande era de cerca de 4 mil pessoas antes de a pandemia do novo coronavírus chegar à cidade, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Com isso, a espera – que já era grande – ficou ainda maior, uma vez que não há previsão para que os procedimentos sejam retomados.  

Os cancelamentos atingem apenas procedimentos que não são considerados de urgência, e a medida foi uma forma encontrada pelas autoridades de saúde para deixar vagas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes com Covid-19 em estado grave.

Além das cirurgias, as consultas com médicos especialistas também foram canceladas para evitar a aglomeração de pessoas e a possível contaminação de pacientes que já estão imunodeprimidos nesses locais e que poderiam desenvolver episódios mais graves da doença.

As consultas estão suspensas desde o dia 19 de março na Capital, tanto para pacientes residentes em Campo Grande como para os moradores do interior nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), Clínicas da Família, ambulatórios de especialidades médicas, unidades da Rede de Atenção Psicossocial, entre outras.

DRAMA

Entretanto, no caso de quem está na fila para realizar cirurgia há anos, essa situação pode colaborar para o agravamento da doença ou condição. Este é o caso do aposentado Nivaldo Soares de Carvalho, 67 anos, que teve a catarata agravada nos últimos anos e está há pelo menos um ano esperando por uma cirurgia oftalmológica.

“Disseram que era para esperar a Sesau marcar, mas até agora nada. E agora, quando vai marcar isso com esse coronavírus?”, questionou o aposentado, que também buscava um encaixe na Santa Casa para ortopedista por conta de problemas em uma das pernas.

Já a aposentada Maria Juraci da Rocha Ferreira, 58 anos, procurava informações sobre uma consulta com especialista para o seu marido, Celso Alves Ferreira, 59 anos, que está desempregado desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), há sete meses.

Celso teria uma consulta com uma neurologista no dia 26 de março, no Centro de Especialidades Médicas (CEM), mas esta foi cancelada por conta da pandemia. Segundo a aposentada, foi dito que uma nova data seria informada por meio de telefone, entretanto, como já havia se passado mais de um mês do cancelamento, ela decidiu ir até a unidade médica para obter mais informações.

No CEM, Maria Juraci teve a mesma resposta que lhe passaram por telefone, de que as consultas ambulatoriais ainda estavam suspensas e não havia previsão para que elas retornassem. Ela também já sofreu do mesmo problema que o marido, só que por três vezes, e conta que seu problema é ainda mais grave.

“Já tive três AVCs e um infarto, tenho três pontes de safena, mas estou bem. Faço consulta aqui de três em três meses, há 12 anos, por conta da doença cardíaca. O médico já me falou que é hereditário”, contou a aposentada, que apesar de estar no grupo de risco da Covid-19 foi até a unidade de saúde.

RETORNO GRADUAL

De acordo com o secretário de Saúde da Capital, José Mauro de Castro Filho, o município já trabalha para o retorno gradual de alguns ambulatórios, porém, com regas de biossegurança. “Temos de tomar muito cuidado com a abertura de ambulatórios. Precisamos aprender a viver de forma diferente e por isso temos de reestruturar nossas unidades para ver se podemos atender de forma segura e com o mínimo de contaminação”.

A retomada não deve acontecer para todos as especialidades e deverá ser apenas para moradores de Campo Grande. “Vamos abrir por um tempo e analisar o impacto”.

O secretário citou que a pasta estuda a reabertura de alguns ambulatórios, como o especializado na saúde do homem – urologia –, ambulatórios de cardiologia e neurologia. A abertura desse locais, entretanto, aguarda a chegada de equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais de saúde que atuam nesses locais.

Os atendimentos, entretanto, deverão ser apenas de pacientes que não estão no grupo de risco da Covid-19, para evitar que essas pessoas entrem em contato com o vírus.

No caso das cirurgias eletivas, Castro afirma que o hospital São Julião deverá retomar, nos próximos dias, as cirurgias eletivas de oftalmologia. 

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