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SAÚDE

Hospital Regional só deve retomar eletivas a partir de agosto

Unidade é referência para Covid-19 e depende que doença esteja controlada

Ricardo Campos Jr

09/06/2020 - 00h07

Hospitais de Campo Grande estão elaborando planos de contingência para a retomada das cirurgias eletivas, conforme exigência da Prefeitura. Contudo, no Hospital Regional, a realização dos procedimentos deve acontecer somente a partir de agosto, isso se a Covid-10 estiver controlada em Mato Grosso do Sul.

A unidade é referência no atendimento aos casos da doença no Estado, então todos os esforços estão concentrados nos pacientes com novo coronavírus. Além do risco de contaminação, existem leitos exclusivos para o enfrentamento à pandemia.

“Nós fizemos um projeto com todos os indicadores da Covid que têm que estar de acordo para a retomada das eletivas não essenciais. Acreditamos que talvez retome somente daqui dois meses, mas se todos esses indicadores forem cumpridos”, disse ao Correio do Estado a diretora do Regional, Rosana Leite de Melo.

Ela afirma que o centro cirúrgico do hospital não está parado. “Existem as chamadas cirurgias de emergência, que não podem esperar; as de urgência e eletivas essenciais, estas últimas eu tenho até oito semanas para realizar. São procedimentos de manutenção, nunca deveriam ter sido parados. Contudo, aquelas operações para colocação de prótese de mama, hérnia, vesícula simples, elas podem esperar determinado tempo sem interferir no paciente”.

Rosana diz que tem acompanhado todos os protocolos dos órgãos da Saúde, documentos que ajudaram a embasar o projeto. Ela acrescenta que a pandemia é um momento delicado e lembra que existem países onde pacientes com o novo coronavírus, sem sintomas, fizeram cirurgias eletivas e ajudaram a aumentar ainda mais o contágio.

Diretores dos hospitais da Capital se reuniram com o secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, há duas semanas, foi quando a pasta solicitou a elaboração dos planos de contingência. 

Mesmo com o pedido, a data de retomada ainda é incerta. Antes deve ser publicada uma resolução conjunta entre a Sesau, Secretaria Estadual de Saúde e suas respectivas vigilâncias sanitárias orientando e recomendando sobre os pontos a serem adotados pelos hospitais para voltar a operar os pacientes.

Nos últimos dados aos quais o Correio do Estado teve acesso, a fila para cirurgia eletiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campo Grande era de cerca de 4 mil pessoas antes de a pandemia do novo coronavírus chegar à cidade.

ESPECIALIDADES

Não são apenas as cirurgias que preocupam especialistas da área da Saúde. Desde março, a Prefeitura suspendeu as consultas com especialistas. 

O Correio do Estado questionou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre quantos pacientes foram prejudicados nesses três meses, mas o órgão disse que não informaria o número porque existe uma taxa de abstenção e o dado não seria real, nem mesmo se aplicasse sobre ele um porcentual médio de quantas pessoas faltam aos horários marcados.

Contudo, existem pessoas que necessitam das especialidades para dar continuidade em tratamentos, como troca de medicamentos, por exemplo, sem contar liberação de receitas para compra de medicamentos.

O cirurgião do Regional e professor visitante no Programa de Pós-graduação em Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Ricardo Aydos disse á equipe de reportagem que, tecnicamente falando, a medida pode trazer complicações futuras, já que quando o serviço for retomado, a fila vai estar grande e o tempo de espera será longo.

“Quem tem problemas crônicos precisa consultar o médico. Se suspendeu, não deveria suspender”, afirma.

Sobre as eletivas, o médico do Regional diz que só ele tem cem pacientes fila de espera e diz que a realização dos procedimentos passa por problemas desde o ano passado por conta da superlotação. A pandemia apenas agravou o problema. Contudo, ele reconhece que setores que operam casos graves e que não podem esperar seguem ativos.

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