Especialistas e professores concordam: 2020 é um ano perdido para a educação. A pandemia forçou as escolas a ministrarem disciplinas de forma remota, mas o aproveitamento não é o mesmo.
“Nossos alunos têm dificuldades muito grandes em aprender conteúdos pela internet. Não estamos aplicando uma educação à distância. O que vemos hoje, é ensino remoto. Os professores não estavam preparados e, além disso, a carga horária nem deveria ser a mesma que a tradicional”, disse ao Correio do Estado a doutora em Educação, Ângela Maria Costa.
Na opinião dela, é preciso pensar em um planejamento focado em 2021 para compensar a carga horária deste ano.
É impossível comparar a eficácia dos conteúdos repassados ao vivo e a cores nos ambientes escolares com aqueles enviados pelo WhatsApp, em aplicativos de reuniões, lives nas redes sociais, postadas no YouTube ou transmitidas pela televisão. E o problema afeta tanto estudantes da rede particular como pública, embora quem tenha mais acesso à tecnologia sairá um pouco melhor.
“A diferença entre alunos das escolas particulares e públicas existe há décadas, só vai piorar com a pandemia”, afirma Ângela.
DESEMPENHO
Talvez quem ainda tenha muitas séries adiante antes de concluir os estudos consiga recuperar o tempo perdido, mas para quem está concluindo o Ensino Médio, o impacto da Covid-19 vai desaguar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
“A prova é fazer de conta que nada está acontecendo. Pode até ser realizada, mas a desigualdade será ampliada. Esse ensino remoto não dá conta de tantos conteúdos do edital. Não existe parâmetro para comparar alunos das escolas públicas com quem tem condições de pagar um cursinho”, diz Ângela.
DÚVIDAS
O retorno das aulas na rede particular está marcado para julho, e na pública em agosto. Ângela duvida que as coisas acontecerão exatamente dessa maneira. Como o novo coronavírus é imprevisível, ela acredita que mais cedo ou mais tarde, as aulas devem ficar remotas novamente.
“As crianças passam quatro horas na escola e 20 horas com a família. Como que pode ser controlada a circulação das crianças em casa? Quem vai na casa delas? Onde que elas vão? Isso é um contrassenso.