O Brasil despencou duas posições em um ranking que mede a capacidade dos países latino-americanos combaterem a corrupção. O levantamento é feito com base em três eixos: capacidade legal para processar e punir crimes de colarinho branco; democracia e instituições políticas; e a postura da sociedade civil, mídia e setor privado.
A pesquisa é coordenada pela Americas Society/Council of the Americas (AS/COA) e a Control Risks. O Correio do Estado teve acesso ao documento.
No primeiro estudo, feito em 2019, o País aparecia em segundo lugar com um índice de 6.14, atrás apenas do Chile (6.66 na época). O score geral brasileiro decaiu 10% graças ao primeiro eixo, que sozinho despencou 14% nos últimos 12 meses com indícios de redução da independência das forças de segurança e decisões judiciais recentes que impactaram em investigações de crimes, como desvio e lavagem de dinheiro.
Conforme o relatório, a suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal, que até o momento ainda está em análise pelos órgãos competentes, foi levada em consideração.
Também impactou negativamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a possibilidade de prisão já em segunda instância, quando os magistrados de primeiro grau já haviam decidido pela culpa dos réus. Isso abriu margem para que os advogados ganhem tempo interpondo todos os recursos possíveis (que no Brasil não são poucos) enquanto seus clientes seguem em liberdade. A pesquisa inclusive cita como exemplo dos efeitos da medida a soltura do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT).
Pontuações para ferramentas de colaboração e força do Poder Judiciário decresceram em torno de 20% no estudo recente, culminando nos resultados gerais do Brasil.
Quantidades menores de manifestações populares contra corrupção afetaram o item sociedade civil, mídia e setor privado.
Em contrapartida, o rompimento de Bolsonaro com o que o relatório chama de “barril de carne de porco” elevou a pontuação no quesito democracia e instituições políticas. O termo é uma expressão metafórica usada em países de língua inglesa para se referir ao fornecimento de verbas públicas em troca de apoio político.
O documento aponta como pontos críticos a serem monitorados as investigações sobre Bolsonaro e seus familiares, a independência da Polícia Federal e órgãos correlatos e as indicações presidenciais ao Supremo Tribunal Federal, que na visão das entidades responsáveis pelo estudo colocam em xeque a independência do Judiciário, embora eles não tenham considerado que o sistema de escola dos ministros é dessa maneira há décadas.
RANKING
No topo da lista está o Uruguai, com uma média geral de 7,78. Na sequência, Chile com 6,57 seguido pela Costa Rica (6,43).
Atrás do Brasil ficaram Peru (5,47), Argentina (5,32), Colômbia (5,18), México (4,55), Equador (4,19), Panamá (4,17), Guatemala (4,04), Paraguai (3,88), República Dominicana (3,26), Bolívia (2,71) e a Venezuela em último com score de 1,52.