Duas onças-pintadas macho adultas, vítimas do fogo na região da Serra do Amolar, no Pantanal, chegaram ao Centro de Reabilitação de Animais Silvetres (Cras), na tarde desta terça-feira (03).
As onças foram encontradas por voluntários que combatiam o incêndio e estavam cercadas pelas chamas.
Segundo informações oficiais, os animais estavam muito debilitados e desidratados e não puderam se recuperar sozinho, mesmo com o fornecimento de carne e água pelos primeiros socorristas.
De acordo com a Coordernadora do Cras, Dra. Aline Duarte, “as onças estavam na região da Serra do Amolar e foram resgatados pelo Gretap [Grupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal]”.
A missão agora, segundo ela, "é estabilizar e salvar". O passo seguinte é fazer uma bateria de exames e tentar reabilitá-los para a natureza.
Aline Duarte explica que serão feitos hemograma, ultrassom, raio x e uma tomografia, que segundo ela foi fornecida por um parceiro.
A Coordenadora relembra que até agora um tamanduá, uma cotia, e uma anta foram vítimas dos incêndios no Pantanal e necessitaram dos serviços do Cras/MS. Apenas a anta não conseguiu se reabilitar.
O fato de serem dois machos adultos no mesmo território não espanta os especialistas do Cras. “Mesmo sendo dois machos, é bem provável que sejam irmãos. Felinos têm uma relação parental diferente, tendem a conviver próximos e reconhecem a família”, afirma o guarda-parque, Luciano Ibanhes.
Segundo ele, outra diferenciação é que as pintadas ficam mais tempo sob os cuidados da mãe do que as onças-pardas. “Elas passam dois anos, no terceiro, eles ganham a independência e vivem por conta própria".
Com a volta das chuvas no mês de outubro, a seca que assolou Mato Grosso do Sul deu uma trégua para o combate às queimadas no Pantanal.
De acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até o ápice da crise, no final de setembro, cerca de 21% do bioma já havia queimado.