O prefeito de Campo Grande, Marcos Marcello Trad (PSD), informou na manhã de hoje (25) que o retorno presencial das aulas na Rede Municipal de Ensino (REME), que começou em 8 de fevereiro de forma remota, ainda não é seguro.
Ele defende que está ciente do retorno frustrado de algumas escolas particulares que adotaram ao ensino híbrido. “Os que voltaram, recuaram. As escolas particulares, que tem uma estrutura, bem maior que a nossa, estão tendo problema. Isso fortalece a posição dos educadores, porque como eles vão retornar se o Estado e o Município não lhes dão a garantia do protocolo de biossegurança”, indaga.
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Trad ainda compara o meio de locomoção de alunos de escolas públicas com os de escolas privadas. “Os meus alunos chegam nas minhas escolas de bicicletas, a pé ou de ônibus. É diferente de quem leva para uma escola particular, geralmente de carro e pela família”, ressalta.
O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), informou que a categoria se reuniu na última terça-feira (23) e decidiram em assembleia que não voltar para as salas de aulas antes da vacinação.
"São mais de 60 mil trabalhadores entre professores e administrativos e mais de 400 mil crianças e adolescentes correndo risco. 97% da categoria se recusou a voltar as aulas antes da imunização. É importante reforçar que não estamos nos recusando a dar aula, nós queremos trabalhar, mas de forma remota até que sejamos vacinados", pontuou.
O prefeito se mostra favorável à inclusão de professores em grupos prioritários de vacinação, mas lembra que isso é uma decisão que não depende dele, e sim do Governo Federal.
Jaime informou ainda que caso a Secretaria de Estado de Educação (SED) opte pelas aulas híbridas ou presenciais, a Federação marcará uma nova assembleia para definir como irão proceder.
A Secretaria de Estado da Educação (SED), se reuniu com o Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia), nesta quarta-feira (24), para decidir em qual formato serão as aulas neste primeiro semestre do ano letivo na Rede Estadual de Ensino (REE). No entanto, nenhuma decisão foi divulgada até o momento.
As aulas presenciais estão suspensas desde o dia 23 de março de 2020.
Vereadores sobre retorno às aulas
Vereadores e autoridades se reuniram em 9 de fevereiro, na Câmara Municipal de Vereadores, em Campo Grande, para debater a respeito do retorno das aulas presenciais na REME.
Dos vereadores presentes, a maioria se mostrou contra o retorno. Apenas Sandro Benites (Patriota) se mostrou claramente favorável a volta às aulas.
Ele justificou dizendo que o comércio e shoppings estão abertos, e que a própria Casa de Leis está funcionando normalmente.
“Se a gente não tem vacinas nem para todos os profissionais da saúde, as aulas vão voltar quando? Daqui um ano, dois anos, quando todos os profissionais de educação estiverem vacinados?”, questiona.
“Sou a favor da volta às aulas com segurança e criatividade. Devemos manter o distanciamento, com dias alternados, usar a máscara e usar álcool 70”, finaliza.
Já Clodoison Pires, sem dizer claramente se é a favor ou contra, apela para que a Casa reflita qual será o impacto gerado no futuro para as crianças que “não estudaram” durante um ano.
Ele clama para que, após o retorno das aulas, haja políticas que minimizem os danos da “falta de estudos por mais de um ano”.
Marcos Tabosa (PDT), Dr Loester (MDB), Tiago Vargas (PSD), Professor Riverton (DEM) e Professor Juari (PSDB), se posicionaram contra o retorno das aulas na REME.
Ayrton Araújo (PT), Ronilço Guerreiro (PODEMOS), Dr Victor Rocha (PP), Valdir Gomes (PSD), Camila Jara (PT) e Silvio Pitu (DEM) também entram na lista de contrários.
Rede Municipal de Ensino
De acordo com a secretária municipal de Educação, Elza Fernandes, a REME possui 104 unidades em Campo Grande, aproximadamente 110 mil alunos, 13 mil servidores e 202 unidades.