Cidades

levantamento

Maioria não quer subsídio para o transporte coletivo

Pesquisa IPR/Correio do Estado mostra que 64,78% da população não concorda com subsídio

Gabrielle Tavares

29/03/2021 - 09h00

A maioria dos usuários é contra o uso de verbas públicas para subsidiar o transporte coletivo, atualmente sob o comando do Consórcio Guaicurus. É o que revela levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), a pedido do Correio do Estado.

Foram ouvidas, por telefone, 318 pessoas entre os dias 18 e 19 de março. Deste total, 64,78% não concordaram com a medida, enquanto 35,22% se mostraram favoráveis. A margem de erro é de 5,5% para mais ou para menos.

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Em entrevista à equipe de reportagem no início do mês, o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Vinícius Leite Campos, revelou que o poder público buscava formas de subsidiar o serviço, que, segundo a concessionária, teve prejuízo em 2020 e teme que a situação se repita em 2021.

O gestor comparou o transporte coletivo com a aviação, que recebe verbas federais para sua manutenção, e disse que, da forma como o serviço é tocado atualmente, a conta não fecha e não haveria outra alternativa senão injetar verbas públicas.

VALORES

Segundo Campos, em 2019, o consórcio teve uma receita de R$ 166 milhões e uma despesa de R$ 158 milhões. Apesar da margem de lucro de R$ 8 milhões, a situação foi melhor que no ano passado, quando as despesas continuaram altas, R$ 112 milhões, mas a receita caiu para R$ 92 milhões, um saldo negativo de R$ 20 milhões.

A pandemia da Covid-19 foi apontada como principal causa do prejuízo, já que a circulação dos ônibus ficou restrita durante um tempo, com obrigatoriedade de lotação reduzida.

Novamente a Agereg citou as gratuidades como um dos empecilhos para um equilíbrio financeiro adequado e recordou que estudantes das redes estadual e até federal andam de graça nos ônibus em Campo Grande, mas as esferas não repassam nenhum tostão para a concessionária.

Ano passado, por outro lado, as aulas foram descontinuadas em razão da pandemia. Os poucos cursos superiores que liberaram aulas presenciais ou atividades relacionadas ao estágio o fizeram apenas no segundo semestre, de modo que grande parte dos transportados corresponde aos trabalhadores da iniciativa privada.

O diretor-presidente da Agereg citou como exemplo o caso de Salvador, onde a prefeitura precisou fazer uma intervenção em uma das concessionárias responsáveis pelo serviço para evitar que ela quebrasse.

Segundo a administração baiana, foram injetados R$ 107 milhões na Concessionária Salvador Norte. Do total, R$ 55 milhões foram para a intervenção municipal e outros R$ 47 milhões para cobrir o deficit deixado pela diferença entre os custos operacionais e a arrecadação das empresas.

Em dezembro, o governo federal vetou projeto de lei que destinaria R$ 4 milhões ao setor de transporte coletivo durante a pandemia de Covid-19 em cidades com mais de 200 mil habitantes.

Ainda no fim do ano passado, o presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, já havia feito o pedido para que a prefeitura subsidiasse o transporte. Naquela época, a solicitação era para que a ajuda viesse por meio da passagem de ônibus.

GESTÃO

O contrato de concessão do transporte público de Campo Grande em vigor foi assinado em 2012, na gestão do então prefeito Nelson Trad Filho. As empresas constantes no grupo ganharam o direito de explorar o serviço por 20 anos.

Apesar dos problemas apresentados, o Consórcio Guaicurus não tem cumprido vários pontos que estão no documento e que não foram cobrados pela administração da Capital.

O reajuste do salário dos funcionários não foi realizado no ano passado e não houve renovação da frota, já que desde janeiro de 2020 há 81 ônibus com a data de validade ultrapassada.

Do mesmo modo, a empresa responsável pelo sistema de transporte coletivo na Capital ainda não pagou a multa que recebeu em julho do ano passado, por descumprir a obrigatoriedade de contratação de Seguro de Responsabilidade Civil, Geral e de Veículos, que até hoje não foi feito.

INSATISFAÇÃO

A mesma pesquisa IPR/Correio do Estado mostrou que 89,94% dos passageiros têm algum tipo de medo ao circular pela cidade nos ônibus do Consórcio Guaicurus, principalmente de serem contaminados pela Covid-19.

Desse grupo, 26,10% têm muito medo de ser infectado pelo coronavírus, 36,48% têm medo de contrair a Covid-19 e 27,36% têm um pouco de medo de ficar doente. Outros 5,97% não têm medo de contrair Covid-19 nas viagens pelo sistema de transporte e 4,09% não utilizam ônibus para se locomover.

As medidas de biossegurança adotadas nos coletivos têm desagradado órgãos de controle. Ano passado, o Ministério Público abriu ação para que a concessionária e a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) intensificassem o uso obrigatório de máscaras e sua devida fiscalização e a desinfecção diária dos ônibus, além de oferecer métodos sanitizantes aos passageiros, como álcool em gel e pias com água e sabão nos terminais.

Outro ponto em debate é a lotação dos veículos. Atualmente, permite-se que os carros andem com 70% da capacidade, enquanto para especialistas o correto deveria ser algo em torno de 30%.

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