O desabastecimento de materiais de construção pode atrasar o andamento de, pelo menos, 80% dos empreendimentos do Estado, de acordo com o Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção Civil em Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS).
A falta de materiais pode prejudicar tanto obras públicas quanto privadas.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Segundo o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, o prazo para entrega de alguns itens chega a seis meses e, se a situação persistir, em junho os cronogramas de alguns empreendimentos em execução pela prefeitura já começarão a ser afetados.
A Capital está com 48 obras que ainda não atingiram 100% de conclusão. Dessas, 19 ainda nem chegaram na metade.
É o caso do Lote 3 da Avenida Ernesto Geisel, que deveria ter sido terminado em 2020, mas segue com 47% de conclusão, segundo dados da gestão municipal.
Essa lista também inclui a creche da Vila Nasser (39%), a reforma das quadras cobertas do Parque Jacques da Luz (36%), a reforma do Parque do Sóter (54%), a construção da Praça dos Esportes do Jardim Noroeste (35%), a reforma da Praça Elias Gadia (2%) e a reforma do trecho do canal da Praça das Águas (49%).
Também há outras 10 obras com 50% a 80% de conclusão, e 19 que já estão quase terminadas.
Fiorese não citou exemplos concretos do que pode atrasar.
O presidente do Sinduscon-MS, Amarildo Miranda Melo, acredita que, se for levada em consideração a situação de todo o Estado e caso o desabastecimento persista, pelo menos 80% dos empreendimentos vão sofrer impactos no prazo.
PRESSÃO
Amanhã, representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vão se reunir novamente com o Ministério da Economia para cobrar ações concretas para contornar o problema.
Além da falta de insumos, o setor sofre com a alta de preços desde meados do ano passado.
O órgão sugere, entre outras coisas, zerar os impostos para importação de materiais de construção, para fazer concorrência às indústrias nacionais. Desta maneira, é possível que elas abaixem os preços e reforcem as linhas de produção.
“Hoje eu comprei pisos, e a loja disse que só vai entregá-los no segundo semestre. E não é só isso, em alguns casos, como o aço, por exemplo, eles até não demoram tanto para entregar, mas não dão conta de fornecer toda a encomenda, que chega picada no canteiro”, afirmou Melo ao Correio do Estado.
O presidente do Sinduscon-MS compara a situação dos materiais com a dos combustíveis, que após o aumento de preços, não foi possível reduzi-los mais.
“Algumas fábricas realmente foram afetadas pela pandemia, que está muito alongada. Diante da incerteza de mercado, reduziram as suas capacidades produtivas e agora estão com dificuldades para retomar o ritmo pré-Covid-19.Porém, existem outras que estão fazendo isso de forma proposital, conforme nós já denunciados ao ministério da Economia e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica [Cade]”, disse o presidente do sindicato à equipe de reportagem.
Melo explica que os bancos que financiam obras públicas só pagam os empreiteiros após a medição. Em contrapartida, as lojas cobram no momento das vendas. Dessa forma, o equilíbrio financeiro das vencedoras das licitações está em jogo.
Fiorese e o presidente do Sinduscon-MS já haviam adiantado ao Correio do Estado que há o risco de a prefeitura receber uma enxurrada de pedidos de reequilíbrio contratual.
Sem ter como atender a todos, as empresas que não têm como dar conta de concluir os contratos podem até desistir, forçando um novo processo de licitação, o que demanda mais tempo e alocação de recursos.