Hospitais públicos e particulares de Campo Grande enfrentam dificuldade para manter medicamentos necessários do kit intubação, como sedativos e anestésicos. As unidades relatam que possuem estoques para, no máximo, uma semana, e que a entrega dos fornecedores foi dificultada por conta do aumento de internações e ocupação de leitos em todo o País.
A Santa Casa afirmou em nota que não possui estoque o suficiente para a próxima semana, mas há uma previsão de entrega pelos fornecedores a partir de hoje.
“O estoque de medicamentos na Santa Casa é oscilante. Neste momento, o estoque mais crítico de bloqueadores neuromusculares é suficiente apenas para o fim de semana. A Secretaria de Estado de Saúde [SES] nos informou que também devemos receber um montante nos próximos dias”.
De acordo com o hospital, os medicamentos mais críticos são Rocurônio, Atracúrio e Cisatracúrio, bloqueadores neuromusculares, e Midazolan, Morfina, Fentanila e Propofol, que são sedativos e anestésicos.
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O Hospital Adventista do Pênfigo afirmou que possui estoque de medicamento para intubação para os próximos cinco ou sete dias, e a previsão de nova reposição é semanal. A instituição destacou que também compra medicações de outros fornecedores e tem previsão de chegada de mais medicações para a próxima semana.
“Sendo um hospital filantrópico referência no atendimento à Covid-19, dependemos também das medicações que o Ministério da Saúde envia para Mato Grosso do Sul”.
Segundo o Hospital El Kadri, os estoques de medicamentos estão críticos, mas o atendimento de pacientes continua normal. O hospital informou que para evitar o colapso está em constante comunicação com os fornecedores de medicações e tenta fazer importação dos remédios.
Segundo o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, o local enfrenta dificuldade para a compra de medicamentos, mas ainda consegue manter o estoque para evitar a falta de insumos. “Não estamos tendo falta de medicamentos. Também não está sobrando, mas não está faltando”.
As dificuldades em adquirir os insumos são por conta da alta procura de todo o País para compra, que também causou aumento nos valores.
“O mundo inteiro está tendo dificuldades de compra. Alguns medicamentos ainda não chegaram, mas a entrega está dentro do prazo. Outros medicamentos não estão disponíveis para aquisição do mercado mundial, essa é uma realidade que o mundo inteiro enfrenta”, informou o HU.
Em nota, o hospital ainda destaca que se houver falta de algum medicamento específico, a orientação é utilizar alternativas terapêuticas com os medicamentos em estoque. Entretanto, para que seja feita essa troca há protocolos clínicos necessários.
No caso da Unimed Campo Grande, a unidade informou que com o aumento significativo de casos de coronavírus, há um consumo expressivo de medicamentos, que causou a escassez no mercado, dificultando a compra nas quantidades necessárias.
“Até o momento, não houve problema de abastecimento, mas não contamos com o mesmo estoque que tínhamos antes da pandemia”.
Para evitar a falta de insumos, o hospital viabilizou a importação de medicamentos e tem expectativa de receber o primeiro lote até o fim desta semana. Além disso, desenvolveu um sistema de monitoramento da quantidade de medicamentos, para otimizar o consumo.
A reportagem do Correio do Estado também entrou em contato com o Hospital Proncor, que apenas informou que a situação é a mesma, assim como a dos demais hospitais da Capital. O hospital não autorizou a divulgação dos estoques de medicamentos e oxigênio.
GOVERNO
O governador Reinaldo Azambuja pretende se reunir com o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, na próxima semana para pedir agilidade do governo federal na compra e distribuição de medicamentos do kit intubação, utilizado em pacientes com Covid-19 em leitos de UTI.
Os últimos carregamentos com medicamentos do kit foram enviados pelo Ministério da Saúde ao Estado em março. Foram 12,6 mil ampolas de bloqueadores neuromusculares e 18,3 mil sedativos.
“Existe falta de insumos nas empresas pelo aumento da demanda. Temos várias atas de compras, mas o Ministério requisitou essas atas, pois está centralizando as compras”, explicou o governador.
OXIGÊNIO
Ao contrário dos medicamentos, os hospitais informaram que estão com uma quantidade adequada de oxigênio, que é adquirida conforme a demanda. E, com isso, não há situação de risco de desabastecimento.
A Santa Casa destacou que está conseguindo manter um maior reservatório de oxigênio, com abastecimento dentro do esperado. “Em relação ao oxigênio para pacientes internados, não está sendo um problema da Santa Casa neste momento. Temos hoje o maior reservatório entre os hospitais de Campo Grande, e nosso abastecimento tem sido feito dentro do esperado”.
LEITOS
Conforme dados do sistema Mais Saúde, do governo do Estado, Mato Grosso do Sul tinha ontem 91,98% de ocupação das vagas de UTI para tratamento exclusivo da Covid-19. A Capital estava com 88,97% da ocupação de leitos.
De acordo com o boletim epidemiológico, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), as macrorregiões de Campo Grande e Corumbá apresentam a maior taxa de ocupação de leitos, com 96%. Em seguida estão Dourados e Três Lagoas com 93%.
Além dos pacientes com coronavírus que estão hospitalizados, Mato Grosso do Sul ainda conta com 14.306 casos confirmados em isolamento domiciliar.
Dados do boletim epidemiológico apontam que do total de 1.218 internados, 689 estão em leitos clínicos, 420 em hospitais públicos e 269 em hospitais privados, e 529 estão em vagas de UTI, sendo 373 públicos e 156 privados.
A prefeitura prorrogou ontem a resolução da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) por meio da edição extra no Diário Oficial (Diogrande) do município a suspensão das cirurgias eletivas que não podem ser realizadas desde o dia 24 de março de 2021.
De acordo com o documento, os procedimentos cirúrgicos ficarão suspensos até dia 14 de abril, por conta do aumento de casos da pandemia. A medida visa a otimização da ocupação dos leitos hospitalares para atendimento de pacientes com Covid-19.