Alta de internações e mortes em Mato Grosso do Sul por Covid-19 indica a predominância da variante brasileira, a P.1, em circulação no Estado.
Segundo a secretária adjunta estadual de saúde, Crhistinne Maymone, o sequenciamento genético já comprovou a presença da P.1 e P.2 desde o ano passado, o que indica que a transmissibilidade grande mostra uma “prevalência significativa” dessas cepas, que são mais infecciosas.
Segundo Maymone, como as amostras de sequenciamento genético que comprovaram a circulação do vírus são de 2020 essas cepas estão em circulação há muito tempo.
“Como as amostras são do ano passado, a transmissibilidade do vírus é grande, então devemos imaginar que temos uma prevalência significativa. O que podemos afirmar com certeza é a presença da P.1 e P.2 no Estado”.
A secretária explica que há diversos aspectos que caracterizam a presença forte das cepas no Estado, como a mudança na faixa etária dos infectados, o quadro de saúde e a gravidade dos casos.
“A transmissão é muito rápida, estamos com uma taxa hoje de 1,11. O perfil dos casos está entre 29 e 49 anos, perfil de casos altos em relação a essa faixa etária. Os óbitos são de pessoas com nenhum tipo de comorbidade e muito jovens. Nós percebemos uma mudança, sim, desse perfil e quem está no hospital vê a gravidade do manejo clínico dos casos”.
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De acordo com o diretor do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), Luiz Henrique Demarchi, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) realizou estudos para identificar as variantes, em que foram encontrados mais de 20 casos.
“Mandamos essas amostras, com algumas do Lacen, para a Fiocruz fazer o sequenciamento genético e confirmar se são mesmo da P.1 ou P.2. Além disso, toda semana nós mandamos 10% das amostras para serem analisadas”.
O diretor destaca que houve um aumento da prevalência de casos com evolução grave em pouco tempo, nos quais pacientes são internados e morrem mais rapidamente.
“Ainda não podemos dizer que todos esses casos são de variantes, porque não conseguimos fazer o sequenciamento em todos eles e são exames demorados, mas percebemos um aumento dessa situação”.
Demarchi explica que foi confirmada a presença das variantes P.1 e P.2 em três casos: o primeiro em Corumbá e os dois outros de reinfecção em Ladário e Fátima do Sul, todos esses com sequenciamento genético de casos do ano passado.
“Podemos dizer que essas variantes estão em circulação desde o ano passado no Estado. Portanto, devemos ter uma circulação alta. A Vigilância Epidemiológica tem monitorado a entrada dessas variantes no Estado, por isso é importante mantermos o isolamento social e a higiene pessoal”, explica.
De acordo com informe técnico do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz, a alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus têm favorecido o surgimento de “variantes de preocupação” no Brasil, como é o caso da variante P.1.
O comunicado alerta para um cenário preocupante, que alia o perfil potencialmente mais transmissível dessas variantes à ausência de medidas que possam ajudar a conter a propagação e a circulação do vírus.
MORTES E INTERNAÇÕES
De acordo com o governo do Estado, a idade das pessoas contaminadas está em queda considerável por conta da circulação das duas novas variantes, que são extremamente contagiosas.
Pacientes entre 30 e 39 anos somam 23,6% do total de casos notificados. Jovens com idade entre 20 e 29 anos representam 19% dos que testam positivo para a Covid-19.
A comparação de casos com o número de mortes apresenta um quadro de maior letalidade da doença. Dezembro foi o mês com maior número de casos de toda a pandemia, com 34.700 confirmações, seguido de março, que notificou 34.070.
No entanto, o número de mortes foi muito maior em março, que teve 1.066 óbitos, um aumento de 45% ou 479 ocorrências a mais do que no último mês de 2020.
A porcentagem de mortes em dezembro e março representam 1,6% e 3,1% do total de casos notificados, respectivamente. Até ontem, o Estado tinha 15.913 casos de Covid-19 em abril e 513 mortes. Isso representa que 3,2% dos pacientes confirmados com a doença morreram.
Ontem, 1.252 pessoas estavam hospitalizadas, das quais 717 em leitos clínicos e 535 em unidades de terapia intensiva (UTI). O número é 46% maior do que o recorde de dezembro, que registrou 678 internações. Em março, o Estado teve recordes consecutivos de internações, começando no dia 1º, com o maior número de toda a pandemia, 683. Deste então, Mato Grosso do Sul já teve aumento de 45% de hospitalização pela doença.
A taxa de ocupação hospitalar nas cinco macrorregiões do Estado ultrapassa os 90% de ocupação. Em Campo Grande e Corumbá não há mais leitos disponíveis e pacientes estão em fila de espera. Outras 12.871 pessoas estão em isolamento domiciliar.
VARIANTES
A P.1 é derivada de uma das variantes predominantes no País, a B.1.1.28. É provável que ela tenha maior poder de transmissão por causa da mutação N501Y, presente nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul.
Outra mutação observada na cepa é a E484K, já associada em estudos a uma queda de anticorpos, o que pode favorecer reinfecções e até afetar a eficácia de vacinas.
Um estudo genômico realizado por cientistas no Brasil revelou que pacientes infectados com a variante P.1 têm uma carga viral 10 vezes maior. Essa carga é mais alta em homens e mulheres com menos de 60 anos.
A P.2 é considerada preocupante porque, assim como a P.1, ela é transmitida de forma mais rápida. Os cientistas pesquisam se ela é mais letal.