O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu abrir caminho para que estados e municípios façam a compra da vacina Sputnik V.
Ontem, o ministro do STF Ricardo Lewandowski deu prazo até o fim deste mês para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida sobre a “importação excepcional e temporária” de doses da vacina. Mato Grosso do Sul é um dos estados que têm interesse na aquisição paralela do imunizante.
O ministro tomou a decisão em uma ação protocolada pelo governo do Maranhão, que diz ter negociado 4,5 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia.
Na ação, Lewandowski determina que a decisão seja tomada em até 30 dias, a contar do dia 29 de março. Se forem incluídos no prazo os fins de semana e feriados, a data limite será o dia 28 de abril.
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A Anvisa já recebeu dois pedidos de autorização de uso emergencial da Sputnik V – o primeiro foi apresentado ainda em janeiro, mas a agência considerou que faltavam documentos. O segundo pedido foi feito em 26 de março, mas a Anvisa ainda não deu resposta e suspendeu a análise.
30 MILHÕES DE DOSES
Também ontem, o Consórcio Conectar, liderado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), anunciou ter iniciado tratativas com o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RDIF) para a compra de 30 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 Sputnik V.
Os primeiros lotes do imunizante podem chegar em até três semanas após a assinatura do contrato, que, segundo o consórcio, deve acontecer ainda neste mês.
Com mais de 2 mil municípios, que representam cerca de dois terços da população do País, o Conectar informou que cerca de 5 milhões de doses devem ser entregues entre maio e junho. As 25 milhões de doses restantes devem chegar até dezembro deste ano.
MS INTERESSADO
Ontem à tarde, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, visitou a fábrica da Farmacêutica União Química, em Brasília, onde será produzida e fabricada a vacina russa Sputnik V e o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), que é a matéria-prima. Ele manifestou interesse na compra do imunizante, para ter mais uma opção na vacinação contra Covid-19 em Mato Grosso do Sul.
“Será um avanço tecnológico enorme, principalmente neste momento em que todos nós estamos atrás de vacinas. Por isso viemos aqui visitar as instalações, que abrem uma nova possibilidade para o Brasil e também para Mato Grosso do Sul”, afirmou o governador, que estava acompanhado pelo secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, e pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Magno Benites.
“Trata-se de um belo trabalho da União Química, fomos muito bem recebidos, encaminhamos um documento para a direção da empresa e não tenho dúvida de que teremos grandes avanços em breve”.
Já Geraldo Resende disse que a agenda em Brasília foi positiva. “Ficamos impressionados com o local e a possibilidade de a empresa fabricar vacinas aqui no Brasil. Acredito que em breve teremos mais uma vacina à disposição do Brasil e de Mato Grosso do Sul”.
A representação de MS participou de reunião com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. No encontro, requisitou mais vacinas para a região de fronteira e o envio de 1,1 milhão de medicamentos do chamado “kit intubação”, além da destinação de 100 mil testes rápidos para detecção da doença.