Cidades

MERCADO IMOBILIÁRIO

Com a alta da Selic, é um bom momento para investir em imóvel?

Reajuste da taxa básica e outros juros, trazem incertezas para quem deseja comprar um imóvel durante a pandemia

Rafaela Moreira

15/04/2021 - 00h02

Adquirir a casa própria é um dos principais sonhos de milhares de brasileiros, porém, a pandemia da Covid-19 e a disparada de diversas taxas, trouxe diversas incertezas sobre o momento certo de investir em um imóvel. 

 

Depois de quase seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, elevou a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano. A taxa básica é referência para o custo do crédito no Brasil, com isso os juros de empréstimos e financiamentos são influenciados pelo reajuste, impactando nos investimentos e até nas taxas de juros cobradas pelos bancos.

Para a corretora de imóveis Giovana Matos, o aumento impacta no fechamento de novos negócios, sendo fundamental entrar em acordo com o cliente sobre qual serão as prioridades de contas e necessidade de investir. 

 "Os preços dos imóveis continuam bastante atrativos, então mesmo que as taxas estejam passando por reajustes e o momento atípico de pandemia, as condições de compra permanecem favoráveis. Neste momento, é preciso analisar os orçamentos, muitas famílias tiveram sua renda afetada, a expectativa ainda sim é positiva quanto ao fechamento de negócios”, destacou a corretora.

Conforme um levantamento realizado pela plataforma para corretores, Homer, com corretores de imóveis de todo o Brasil, cerca de 32% dos brasileiros buscam comprar imóveis com preços entre R$ 250 mil e R$ 400 mil. 

O levantamento também aponta que 21% daqueles que estão em busca da casa própria esperam pagar até R$ 250 mil pelo imóvel, sendo o preço médio. 

Outros 20% buscam por empreendimento na faixa de R$ 400 mil a R$ 600 mil, 11% focam em valores de R$ 600 mil a R$ 900 mil. E uma parcela de 16% está disposto a gastar mais de R$ 900 mil na compra.

No ano passado, os empréstimos destinados à aquisição e construção de imóveis atingiram R$ 124 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). 

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, de acordo com o Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS), houve crescimento de 44% no número de financiamentos realizados no Estado em 2020.  

“O setor como um todo, considerando da construção às vendas, está ajudando o País a ter um impacto menos negativo na economia. Registramos um aumento de 44% no número de financiamentos imobiliários em 2020. Quando aumentamos a quantidade de financiamentos, é mais dinheiro injetado na economia”, explicou o presidente do Secovi-MS, Marcos Augusto Netto.

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REAJUSTE DO ALUGUEL 

Em meio ao agravamento da pandemia em todo o País, o índice que reajusta grande parte dos contratos de aluguel também registrou alta elevada.

O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) terminou o terceiro mês do ano com aumento de 2,94% e acumula alta de 8,26% neste ano e de 31,10% em 12 meses, sendo o maior índice inflacionário medido desde 1995, conforme o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).  

O IGP-M é conhecido como a “inflação do aluguel” e serve como parâmetro para o reajuste da maioria dos contratos de locação residencial. Segundo dados da FGV, o índice utilizado para a correção do aluguel teve alta de 2,94% em março, acelerando em relação à variação de 2,53% de fevereiro.

“As taxas do IGP-M estão absurdas e muito elevadas, muitos clientes reclamam do valor abusivo, é necessário ter bom senso. Estamos fazendo negociações com clientes para trocar a correção monetária, uma das alternativas está sendo calcular pelo IPCA, assim temos um cálculo mais viável para os inquilinos, os valores são muito excessivos, não tem como levar em consideração”, afirmou ao Correio do Estado. 

Devido aos reajustes elevados, a Câmara dos Deputados aprovou, o regime de urgência para o Projeto de Lei 1026/21, que determina o uso do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a correção dos contratos de aluguel residencial e comercial.

Devido a disparada das taxas e o período de agravamento da pandemia, o reajuste pesa no bolso dos inquilinos que dependem de aluguel. Com a aprovação do regime de urgência para a alteração, o projeto poderá ser votado nas próximas sessões do Plenário.

O IGP-M é conhecido como 'inflação do aluguel', por servir de parâmetro para o reajuste da maioria dos contratos de locação residencial. Ele sofre uma influência considerável das oscilações do dólar, além das cotações internacionais de produtos primários e matérias-primas.

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Ônibus do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande; Cade suspendeu aval à venda das empresas.

Ônibus do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande; Cade suspendeu aval à venda das empresas. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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