Cidades

INFRAESTRUTURA

Contingenciamento da União pode atrasar obras na Capital

Com redução orçamentária, intervenções já em andamento podem ser impactadas

Gabrielle Tavares

29/04/2021 - 08h30

Em 2020, diversas obras públicas foram paralisadas por conta da pandemia da Covid-19. Agora, a falta de repasse da União pode atrasar novamente o cronograma de entrega de quatro frentes em execução em Campo Grande.  

Conforme o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, o atraso de repasses do governo federal pode impactar na execução de intervenções que levam recursos vindos diretamente da União.

“Parcerias, frutos de convênio com a União, podem comprometer o andamento e o cronograma de obras da Capital. Se o governo federal começar a atrasar os repasses, a paralisação pode ocorrer. Todos os repasses acontecem à medida que a obra está sendo executada, isso compromete todo o trabalho”, destacou o titular da Sisep ao Correio do Estado.

Ainda conforme o titular da Sisep, a lista de obras que poderão ser impactadas com o atraso de repasses corresponde à revitalização da Avenida Ernesto Geisel, pavimentação da região do Bairro Nova Lima.

Além da revitalização da Avenida Duque de Caxias e drenagem e pavimentação do Bairro Jardim Centenário, que ainda será licitado.

Últimas notícias

No início da semana, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se reuniu com a bancada federal e outros 10 prefeitos para discutir as emendas que estão ameaçadas pelos cortes no Orçamento da União de 2021. 

Mato Grosso do Sul pode ficar prejudicado em R$ 57 milhões, que seriam destinados a projetos estruturantes.

O governo federal fez um corte no Projeto de Lei Orçamentária Anual 2021, que previa R$ 271,6 milhões para serem destinados a obras de infraestrutura em todo País, considerando as emendas parlamentares. 

O corte neste setor foi de R$ 136,5 milhões, uma redução de 50% nas frentes de trabalho já em execução.  

Fiorese destacou que Campo Grande tem 30 obras em execução que deverão ser entregues até 2022.

“Hoje, não temos obras paradas, temos atraso nas análises em ministérios que estão mais lentos. Em Campo Grande, temos em torno de 30 obras em execução, algumas com previsão para entrega ainda neste semestre e também para o próximo ano”, destacou. 

ERNESTO GEISEL  

O custo total das obras de revitalização na Avenida Ernesto Geisel está estimado em R$ 52 milhões, em que 90% do valor são repasses do governo federal e o restante da Prefeitura de Campo Grande. 

A obra ficou paralisada por algum tempo, quando houve atraso de repasses das medições das obras, em 2019. A situação postergou ainda mais a entrega, que agora está prevista para 2022.

Segundo a Sisep, o atraso fez com que a empresa responsável diminuísse o ritmo e atrasasse as entregas.

O projeto de revitalização do Rio Anhanduí é de 2011, a iniciativa faz parte de um conjunto de ações para conter enchentes nos bairros Marcos Roberto, Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso.

A revitalização da Avenida Ernesto Geisel foi iniciada em 2017 e abrange trecho de quase dois quilômetros da via, atravessando os bairros Coophamat, Taquarussu, Jacy e Marcos Roberto.

O projeto prevê a construção de paredões de gabião para proteger as margens da erosão e evitar o transbordamento do rio, além de drenagem, ciclovia, urbanização e recapeamento das pistas.

De acordo com o titular da Sisep, 60% da obra já foi executada. A conclusão total, incluindo recapeamento das vias, deve ser entregue apenas no ano que vem, caso não tenha atraso nos repasses.  

NOVA LIMA

A pavimentação no Bairro Nova Lima está em fase de execução e já recebeu pavimento desde o cruzamento com a Avenida Cônsul Assaf Trad. O investimento é de R$ 20.296.184,19. 

Além de drenagem e asfalto, o projeto prevê rede de esgoto, calçada e sinalização de trânsito.

No ano passado, durante a etapa A, o Nova Lima recebeu 20 km de pavimentação no quadrilátero formado pelas avenidas Cônsul Assaf Trad e Zulmira Borba e as ruas Marques de Herval e Jerônimo de Albuquerque.

Foram mais 16 km de asfalto nos residenciais Oscar Salazar, José Tavares, Parque Iguatemi, algumas ruas do Tarsila do Amaral e Vida Nova, localizados entre as ruas Francisco Pereira Coutinho, Major Geovani Francisco e Martin Afonso de Souza.

Já no projeto de pavimentação da etapa B, que está em fase de execução no trecho entre as ruas Major Geovane e a rotatória com a Francisco Pereira Coutinho, as obras começaram pelas ruas Alfredo Borba e Lourenço da Veiga.  

De acordo com dados da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, para os próximos dois anos estão programados mais 40 km de pavimentação, abrangendo ruas localizadas no quadrilátero Zulmira Borba/Gualter Barbosa/Cônsul Assaf Trad e Lino Villacha.

DUQUE DE CAXIAS  

Com investimento de R$ 20 milhões que será utilizado no recapeamento de um trecho de 9,9 km, o que equivale a quase 20 km considerando as duas pistas da Avenida Duque de Caxias, do Aeroporto Internacional de Campo Grande à rotatória do Núcleo Industrial, também conhecido como Indubrasil. 

No projeto também são previstos 16 km de drenagem e o asfaltamento de 24 ruas, somando uma extensão de 20 km.

JARDIM CENTENÁRIO

A obra de drenagem e pavimentação do Jardim Centenário é orçada em R$ 5,5 milhões e ainda não foi licitada. 

A verba será por meio da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), garantida pela bancada federal no Congresso Nacional.

O projeto prevê a execução de 4,8 km de asfalto nas ruas Itabirito, Baliza, Caxiuana, Limão, Barra da Corda, José da Silva, Regeneração, Seis de Outubro, Granada, Ribeirão das Neves, Morro do Chapéu e Moçambique.

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