Cidades

SEGURANÇA

Contrabandistas de agrotóxicos têm prejuízo de R$ 50 milhões

MS é o segundo estado com a maior apreensão de defensivos agrícolas, com 25 toneladas

Beatriz Magalhães

08/05/2021 - 09h32

Nos últimos dois anos foram apreendidas 25 toneladas de agrotóxicos em Mato Grosso do Sul, além de outras 120 toneladas no Brasil, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 50 milhões ao crime organizado, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia).

Para o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, o uso dos agrotóxicos contrabandeados não é apenas problema de segurança nas fronteiras ou de perdas econômicas, mas também de saúde pública.

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“Os riscos do uso de agrotóxicos são grandes e podem ocasionar problemas em curto, médio e longo prazo, grande parte dos componentes químicos são proibidos no Brasil, o que acaba sendo um problema muito além de segurança pública, pois causam risco a nossa sanidade e à saúde pública. Os insumos químicos que entram pela fronteira sem permissão do governo brasileiro, não tiveram sua segurança e eficácia atestadas por órgãos responsáveis, o que pode implicar em diversos problemas”, explicou ao Correio do Estado.

Conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os maiores volumes de apreensões são registrados nos estados de Goiás, com mais de 80 toneladas, seguido por Mato Grosso do Sul, com 25 toneladas, e Paraná, com 9 toneladas.

Videira aponta que os insumos de contrabando geralmente são fabricados no Paraguai a partir da mistura de produtos ou vêm prontos da China.  

“O principal problema da entrada de agrotóxicos contrabandeados no Brasil é a falta de controle, muitos dos que entram no nosso País são banidos aqui. Os agrotóxicos permitidos no Paraguai, às vezes, não são permitidos aqui, esse controle dificulta a fiscalização”, destacou.

A recomendação é dar prioridade para os produtos que carregam um selo de boas práticas agrícolas.

RISCOS  

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a responsável por determinar qual tipo de agrotóxico pode ser utilizado e qual a quantidade adequada para cada alimento, sendo classificado em quatro classes de danos à saúde humana: pouco tóxicos, medianamente tóxicos, altamente tóxicos e extremamente tóxicos. 

Nos rótulos desses produtos, além das cores que representam cada classe, são indicadas também as doses de letalidade.

O médico oncologista, João Paulo Vendas aponta que os agrotóxicos ilegais são comprados sem orientação técnica, contribuindo para o aumento de riscos de intoxicação humana e contaminação ambiental.

“Os defensivos ilegais não têm segurança e eficácia garantidas por fabricantes ou autoridades, os agrotóxicos necessitam de um controle, pois possuem índice cancerígeno, a maioria deles está associada a diferentes tipos de câncer e por isso acende o alerta da importância da fiscalização”, pontuou.

O médico oncologista orienta que os agrotóxicos podem ser encontrados em alimentos de origem vegetal e animal, como leite, ovos e carnes. 

A alternativa para evitar intoxicações é diminuir a ingestão de produtos cultivados com o uso de agrotóxicos e preferir produtos de origem orgânica, ou seja, aqueles cujo cultivo não utiliza defensivos agrícolas, bem como lavá-los corretamente antes de consumir e se preferível remover as cascas.

“Os agrotóxicos, como o próprio nome já, diz são tóxicos e podem causar alguns problemas para saúde, principalmente para as pessoas que estão manipulando, além de afetar o solo e a água, tudo isso pode gerar um desbalanço no nosso meio ambiente”, destacou o especialista.

João Paulo Vendas reitera que os produtos químicos são considerados ferramentas essenciais para o controle efetivo das pragas na agricultura e garantia da sanidade das plantações.

“É importante destacar que alguns agrotóxicos, quando aprovados pela Anvisa, são responsáveis por manter a sustentabilidade do meio agrícola, muitos produtores do meio necessitam dos produtos químicos para quebrar o ciclo das pragas e diminuir os riscos de danos à plantação para garantir o aumento da produtividade, porém, sempre com níveis controlados”, explicou.  

VIGIA

O Vigia apreendeu mais 145 toneladas de agrotóxicos em dois anos de atuação, além de 930 toneladas de drogas apreendidas, 117 milhões de maços de cigarros, embarcações, armas, veículos e outros produtos oriundos do contrabando, com um prejuízo estimado em mais de R$ 3 bilhões.

O programa atua no combate às organizações criminosas e na repressão aos crimes transnacionais, incluindo o tráfico de drogas e de animais, cigarros e produtos contrabandeados em todas as regiões de fronteira e divisas do País.

O Programa está presente nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte e Ceará, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). 

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