Com a pandemia, milhares de estudantes foram obrigados a adotarem o ensino remoto. De acordo com a pesquisa, intitulada "Enfrentamento da cultura do fracasso escolar", cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes não tiveram acesso à educação no ano passado.
A pesquisa realizada pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para Infância (Unicef), ainda aponta que 3,8% das crianças e adolescentes do Brasil entre seis e 17 anos, abandonaram as instituições de ensino, o que equivale a 1,38 milhão de estudantes.
A soma envolve alunos que abandonaram os estudos e os que estavam matriculados, mas não receberam atividades para fazer em casa.
A doutora em educação Priscila Barros, destaca que nem todos os estudantes possuem os recursos necessários para ter acesso à educação durante o último ano, o que aumenta a tendência à evasão escolar.
"Tive acesso a essa pesquisa que a Unicef realizou, são números alarmantes. É grave a situação de evasão escolar, as aulas presenciais são fundamentais para a socialização e desenvolvimento dos estudantes, as escolas terão que ir atrás de seus alunos. Para o retorno será necessário realizar um trabalho grandioso para retomar da onde paramos”, destaca.
Os dados apontam que a maior incidência de crianças e adolescentes fora da escola no ano passado está na faixa etária de 6 a 10 anos, com 41%. A faixa etária é seguida por 15 a 17 anos, com 31,2% excluídos e por 11 a 14 anos, com 27,8% sem aulas.
A doutora em educação Ângela Costa, aponta que nem todos os estudantes possuem os recursos necessários para ter acesso à educação durante o último ano, o que aumenta a tendência à evasão escolar, sendo fundamental o retorno presencial o quanto antes.
“É grave a situação de evasão, muitos alunos que saíram das escolas, inclusive por falta de condições tecnológicas, as aulas presenciais são muito importantes, as escolas terão que ir atrás de seus alunos. Para o retorno será necessário realizar um trabalho grandioso para retomar da onde paramos”, apontou.
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Ângela reitera que para o retorno presencial na rede pública de ensino, será fundamental oferecer aos alunos uma atenção extra curricular, devido ao período de suspensão das aulas presenciais.
“A primeira coisa que as escolas deverão fazer é uma avaliação de conteúdo com os alunos que continuaram, para poder realizar reforço escolar, só assim os estudantes terão condição de recuperar os conteúdos, não dá para ignorar tudo que aconteceu no ano que passou”, pontua Ângela Costa.
Conforme os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência (UNESCO), mais de 888 milhões de crianças em todo o mundo continuam enfrentando interrupções em sua educação devido ao fechamento total ou parcial das escolas.
A educadora Carmem Albuquerque defende o retorno presencial e destaca que o aumento do abandono será a pior consequência imediata da pandemia na educação.
“Passamos por um momento delicado na educação do país, nada substitui o professor em sala, vai ser preciso um tempo para retornarmos a normalidade. Precisamos ir atrás desses alunos e garantir que retornem para as escolas, esse é o único caminho para dias melhores”, relatou.
EDUCAÇÃO COMO SERVIÇO ESSENCIAL
Foi aprovado no último mês pela Câmara de Deputados e será votado nos próximos dias pelo Senado, o projeto que impede a suspensão de aulas presenciais em escolas e universidades durante a pandemia da Covid-19, ao tornar a educação atividade essencial.
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta, por 276 votos.
De autoria da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), a medida reconhece a educação básica e a educação superior, em formato presencial, como serviços e atividades essenciais e estabelece diretrizes para o retorno seguro às aulas presenciais.
Conforme a deputada, a educação brasileira sentirá por muitos anos os impactos causados pelo fechamento das escolas durante a pandemia.
“Quando falamos em tornar a educação presencial em serviço essencial, como está no texto, estamos oferecendo a oportunidade das escolas públicas voltarem a abrir as portas para receberem seus alunos. Não vamos deixar o país perder essa geração”, afirmou.
A proposta aponta que a estratégia para o retorno das aulas presenciais deve respeitar os seguintes critérios:
- estabelecimento de critérios epidemiológicos;
- prioridade na vacinação de professores e funcionários das escolas públicas e privadas;
- prevenção ao contágio de estudantes, de profissionais e de familiares pelo coronavírus;
- igualdade e equidade de condições de acesso ao aprendizado, entre outros tópicos como a disponibilização de materiais de higiene, máscaras, álcool em gel 70%, água e sabão.