Cidades

PANDEMIA

Casos e internações sobem e médicos veem nova onda em junho

Especialistas alertam que pico de internações registrado em abril pode ser ainda pior nessa nova fase da doença em todo o Estado

Izabela Cavalcanti

15/05/2021 - 16h33

Em ascensão, o número de internados por Covid-19 em Mato Grosso do Sul ultrapassa os mil casos há quatro dias. Conforme especialistas, este é um indicativo do terceiro pico de contágio e propagação da doença previsto para acontecer em junho.

Nesta sexta-feira, o Estado alcançou a maior média móvel de casos em 21 dias, 1.119. Desde o dia 10 de maio, os dados apontam mais de mil confirmações da doença diariamente.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, referência no atendimento a pacientes com o coronavírus, opera há três dias acima de sua capacidade máxima de internação.

“Estamos com 130 pacientes críticos aqui no hospital, e temos capacidade técnica para atender até 125 pessoas. Existem pacientes intubados e com cateter de oxigênio em UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] e não temos como recebê-los”, afirmou a diretora-presidente do Regional, Rosana Leite de Melo.

Retaguarda do Regional, a Santa Casa de Campo Grande informou que na sexta estava com 100% das unidades de terapia intensiva (UTIs) ocupadas. 

Na área vermelha, apesar de a capacidade máxima ser de seis internados, 12 pacientes ocupavam a ala, dos quais quatro estavam intubados. 

A área verde, feita para atender sete enfermos, contava com 30 hospitalizados.

Com 100% de ocupação, o cenário de superlotação se repetia no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian.  No Hospital da Unimed, de 40 leitos de UTI Covid-19, 33 estavam ocupados.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmaram a superlotação nas quatro macrorregiões de MS. Em Campo Grande, a taxa de ocupação global de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) era de 87% nesta sexta-feira.  

Últimas notícias

 índices de internados superaram os 92%. Em Corumbá, 96% das vagas destinadas ao tratamento de coronavírus estavam em uso. 

Conforme o último boletim epidemiológico divulgado pela Pasta, 1.042 sul-mato-grossenses estavam hospitalizados até esta sexta. Destes, 564 estavam em leitos clínicos e 373 em leitos de UTI.

Segundo o infectologista e pesquisador Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a dinâmica de contágio do vírus indica uma piora dos casos e de internações para o próximo mês. “Só para os políticos que não dá para prever e justificar a falta de medidas e preparação [para o enfrentamento da doeça]”, reiterou.

O pesquisador ponderou que após o pico de internações ser atingido em Mato Grosso do Sul, em 14 de abril, com 1.338 casos confirmados hospitalizados, junho já deve começar com a tendência de elevação, que pode ultrapassar o pico de internações.

Croda explicou que em relação às mortes, esse crescimento de internações será refletido entre duas a três semanas. 

“As medidas restritivas e a vacinação ainda são insuficientes para frear o contágio”.

Um dos caminhos apontados pelo médico para diminuir a incidência da doença e, como consequência, o crescimento de internações e mortes, seria a adoção de restrições semelhantes às adotadas por Araraquara (SP). 

A cidade foi a primeira do estado de São Paulo a proibir a circulação de pessoas por 10 dias.

Nesse período, houve o fechamento inclusive de serviços essenciais, como supermercados e postos de gasolina. 

O transporte público foi suspenso e as forças de segurança foram às ruas em blitze para manter a população em casa. 

Como resultado, após 30 dias da medida, Araraquara registrou a redução 57,5% de casos de Covid-19, além da diminuição de 39% na média semanal de mortes.  

FILA DE ESPERA

Dados da SES apontam que 116 pessoas estavam na fila de espera por uma vaga de UTI na sexta-feira. 

Dessas, 78 eram da macrorregião de Campo Grande, dos quais 72 só da própria Capital.

A central de regulação de vagas de Dourados possui 21 pacientes na fila de espera. Em relação aos demais 77 municípios de Mato Grosso do Sul, 17 pacientes aguardam a disponibilidade de um leito crítico pela Central de Regulação do Estado (CORE), sendo quatro só de Três Lagoas.

Com o agravamento da pandemia, o colapso no sistema de saúde funciona hoje com uma extensa fila de espera por leitos de UTI que só avança com a disponibilidade de vagas nas redes hospitalares e que não dependem mais de altas, e, sim, de mortes.

Apenas nos primeiros 14 dias de maio, 690 pessoas perderam a vida para a doença em MS. Até o momento, 6.163 sul-mato-grossenses morreram em decorrência da Covid-19. 

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