Uma década após a assinatura do contrato, o término das obras do macroanel viário de Campo Grande ainda é uma incógnita. Depois de impasses com os donos das terras pelas quais a estrada passa, agora resta saber quem vai autorizar a construção da última rotatória que ligará de uma vez por todas as saídas de Rochedo e Cuiabá.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), há três esferas envolvidas na situação.
De um lado, a prefeitura querendo construir o acesso. De outro, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), já que a intervenção será realizada na BR-163, e a CCR MSVia, que detém a concessão da rodovia. Sem decisão, as obras seguem paradas.
O Correio do Estado esteve no local neste mês. Do último ponto pavimentado é possível avistar o fluxo de veículos sobre a saída para Cuiabá, só não há como chegar até a pista.
Segundo o titular da Sisep, Rudi Fiorese, será o próprio Dnit quem executará as obras da rotatória.
A vantagem de um anel viário é fazer com que os veículos, especialmente os pesados, como carretas e caminhões, contornem a cidade sem passar por dentro dela.
Quem olha o mapa nos aplicativos de mobilidade nota que, no caso da Capital, esse acesso ainda não é completo, falta essa parte do quebra-cabeça cuja história remonta ao ano de 2010, quando o município e a Anfer, na época, assinaram o contrato para fazer a ligação restante.
O trecho existente conecta a BR-262 (em Indubrasil), passando pelo Núcleo Industrial, a BR-060 (ligação com Sidrolândia, Maracaju, Dourados e Ponta Porã), outra ponta da BR-163, já na saída para São Paulo, e a saída para Cuiabá no sentido leste-oeste, desaguando na rotatória em frente ao Shopping Bosque dos Ipês.
Segundo informações do Portal Mais Obras, que reúne informações de todas as intervenções em execução na cidade, as máquinas foram a campo pela primeira vez no ano seguinte, mais precisamente no dia 4 de abril de 2011. Na época, o prefeito da cidade era o atual senador Nelson Trad (PSD).
Além da implementação da pavimentação e das estruturas para drenagem, o projeto também contemplou a instalação de duas pontes: uma sobre o córrego Botas e outra sobre o Ceroula.
Um ano depois, houve a primeira paralisação. Os impasses envolviam as desapropriações necessárias para que a estrada cortasse 46 propriedades rurais que ficam na cidade. O município conseguiu fazer acordos com 29 deles. Os casos restantes acabaram parando nas mãos da Justiça, que baixou 15 liminares a favor da cidade.
Em 2017, o município conseguiu fechar os últimos acordos com os dois proprietários, que juntos receberam R$ 600 mil de abono por terem de transferir o patrimônio ao Poder Público. Naquela época, as estradas não viam movimentação de máquinas havia cinco anos.
Na ocasião, o governo federal teve de prorrogar por mais 12 meses o convênio com Campo Grande, porque, se ele vencer sem que haja o término de todas as etapas previstas, a cidade pode ter de devolver todo o valor investido pela União no empreendimento.
Além disso, o próprio Dnit, ao fiscalizar a execução da pavimentação, pediu à empreiteira que refizesse um dos trechos, causando ainda mais demora no andamento do projeto.
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Devagar
Desde o início das obras do anel viário, a cidade já teve três prefeitos diferentes e a obra avança lentamente. Depois de vários aditivos, a conclusão está pautada em R$ 30.875.027,81. Desse montante, segundo informações da Prefeitura, já foram efetivamente gastos R$ 28.179.633,63. Isso corresponde a 91% do que foi pactuado.
Somando todas as paralisações, segundo informações do Portal Mais Obras, a intervenção ficou inoperante por um total de 25 meses, que continuam aumentando à medida que não há uma decisão a respeito da construção da última rotatória que falta.