Cidades

PANDEMIA

Com 11 variantes em circulação, Mato Grosso do Sul se preocupa com cepa da Índia

Mutação da Covid-19 já foi diagnosticada em tripulantes de um navio que está no Maranhão

Com o agravamento da pandemia, Mato Grosso do Sul já se articula para evitar a circulação da cepa B.1.617, descoberta na Índia, com dois casos confirmados na Argentina e seis no Brasil. Até o momento, 11 variantes de coronavírus já estão presentes no Estado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa que causou a explosão recente de contágio na Índia foi confirmada em pelo menos 51 países. Para a entidade, a variante está sendo classificada como “digna de preocupação mundial”.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, a chegada de uma nova variante pode ser mais um fator que contribua para aprofundar a tragédia causada pela pandemia.

“Nós não podemos ter o risco de ter essa cepa [indiana] aqui. Mas, certamente, com a piora no cenário de pandemia, ela chegará em pouco tempo”, disse.

Para Resende, as fronteiras de Mato Grosso do Sul com os países vizinhos, Paraguai e Bolívia, precisam de uma vigilância maior. “Por serem fronteiras secas, as pessoas transitam com maior facilidade, e se essa variante entrar por qualquer país da América do Sul, em pouco tempo, estará por aqui [MS] também”, reiterou.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) enviou, no dia 4 de maio, um ofício ao Ministério da Saúde solicitando o fortalecimento de ações contra as novas variantes. 

Entre os pedidos, está a instauração imediata de maior rigor no sistema de vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, com a exigência obrigatória de quarentena de 14 dias para os passageiros oriundos de países com alta prevalência de variantes de Covid-19.  

O Conass solicitou, ainda, a aquisição e distribuição de testes de antígenos a todas as unidades da federação. No Estado, os testes de antígeno foram reforçados nos municípios de fronteira para agilizar a detecção de pessoas com a doença e dar maior agilidade nas ações de prevenção e controle do coronavírus.

Até ontem, Mato Grosso do Sul havia registrado 271,3 mil casos confirmados de coronavírus. Em relação às mortes, 6.350 sul-mato-grossenses faleceram por complicações da doença.  

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MAPA GENÔMICO

De acordo com o mapa genômico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), com amostras coletadas em 37 municípios, a linhagem brasileira B.1.1.28 predomina em 32,1% dos casos de contágio de Covid-19 em MS. Empatadas em segundo lugar, as cepas B.1.1.33 e P.1, descoberta em Manaus (AM), estão presentes em 21,6% dos casos de coronavírus, cada.

Os dados do Laboratório Central de MS (Lacen) indicam ainda que 2,2% dos casos positivos da doença no Estado correspondem à cepa B.1. Esta é a linhagem europeia cuja origem corresponde ao surto de transmissão da Covid-19 no norte da Itália, no início de 2020.

O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explicou que ainda não há dados suficientes para determinar se a variante descoberta na Índia é mais letal e contagiosa do que a P.1. 

No entanto, Croda afirmou que sem o controle da doença haverá maior transmissão de casos de coronavírus e, como consequência, maiores chances de mutação do vírus.

O titular da SES, Geraldo Resende, ponderou que doença só poderá ser controlada com a ampla vacinação. “Temos aflição em vacinar as pessoas com maior celeridade, pois apenas a aplicação de doses será capaz de diminuir a possibilidade de novas variantes oriundas do Brasil ou de qualquer país”, afirmou.  

CASOS CONFIRMADOS

O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, divulgou em 14 de maio, que dois casos de Covid-19 com a variante indiana foram confirmados na Argentina. O informe de risco foi encaminhado aos três estados da região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul –, que fazem fronteira com a Argentina, buscando reforçar o monitoramento de possíveis mudanças no perfil de casos nesses locais.

O Ministério da Saúde informou ontem que os primeiros casos da variante indiana foram confirmados no Brasil. Trata-se de seis tripulantes do navio MV Shandong da Zhi atracado no litoral do Maranhão. Dos seis infectados, um paciente indiano de 54 anos precisou de atendimento hospitalar em São Luís.

Toda a tripulação do navio foi colocada em quarentena e isolada em cabines individuais na embarcação. Até o momento, 15 tripulantes apresentaram sintomas para Covid-19. Cerca de 100 pessoas que tiveram contato com os viajantes serão testados e monitorados.

A Índia possui a segunda maior prevalência de casos confirmados de coronavírus do mundo. Na análise do nível de alerta em saúde aos viajantes, que se baseia na incidência de casos nos últimos 14 dias, o país está classificado como nível 4.

Na prática, isso significa que há mais de 100 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes. Conforme recomendações da Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, nessas condições de contágio, deve-se evitar qualquer viagem para a Índia.  

TERCEIRA ONDA

O Brasil deve ter um aumento de mortes por coronavírus nos próximos dias e, no pior dos cenários, poderá registrar 973 mil mortes relacionadas à doença até setembro. A projeção foi realizada pelo Instituto Para Métricas de Saúde e Avaliação (IHME), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Até 27 de agosto, o Instituto aponta que o País poderá registrar 751 mortos pelo coronavírus. Essa tendência seria inclusive em um cenário onde 95% da população faz o uso de máscaras.

Em Mato Grosso do Sul, a terceira onda de contágio, internações e mortes está prevista para o próximo mês.

De acordo com a infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ana Lúcia Lyrio, se a curva de incidência da doença não reduzir, o agravamento da doença deve ocorrer no fim de junho. MS já sente aumento de casos e internações pela doença. 

“A previsão de oferta de vacinas [contra o coronavírus] caiu. E com a cobertura vacinal baixa e a alta de casos, acreditamos em uma piora do cenário de pandemia nas próximas semanas”, relatou. 

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