Cidades

VULNERABILIDADE

Número de imigrantes cresce nas ruas da Capital

Segundo o Cetremi, 785 estrangeiros foram atendidos durante a pandemia

O número de imigrantes nas ruas de Campo Grande aumentou nos últimos meses, de acordo com o Centro de Triagem do Migrante e População em situação de Rua (Cetremi).  

Segundo dados do órgão, 785 atendimentos a estrangeiros foram realizados na Capital entre abril de 2020 e abril de 2021. Porém, em virtude da ilegalidade, os dados podem ser ainda maiores, já que muitos não têm a documentação necessária e não aceitam o acolhimento do órgão. 

Outro índice que evidencia o aumento é o número de pessoas enviadas para casa. O Cetremi emitiu 149 passagens durante todo o ano de 2020, enquanto em 2021 já foram 98 até este mês.  

“A partir do dia 25 de janeiro, o governo federal emitiu uma portaria que restringiu a entrada de venezuelanos, o que dificulta a regularização das pessoas que chegam aqui. Além dessa situação, também temos muitos venezuelanos que acabam não aceitando ir para os abrigos e preferem ficar na rua”, explica o gerente de Proteção de Alta Complexidade da Secretaria de Assistência Social, Artemiro Versoza.  

De acordo com ele, o município tem, sim, equipamentos para atender as pessoas em situação de rua, além de possibilidade de oferta de empregos e do auxílio para a conquista de uma casa, mesmo que alugada. 

“Temos ferramentas para empoderar o imigrante em situação de rua. Já existe aí uma dificuldade que é a da regularização em razão da portaria, onde ele não consegue se regularizar. Nós oferecemos o atendimento, temos oferta de serviço, mas, mesmo com todas as opções, eles preferem ir para os semáforos e acabam pedindo esmolas”.  

O coordenador do Programa UEMS Acolhe, João Fábio Sanche, que auxilia os refugiados com o acolhimento linguístico, humanitário e educacional, afirma que muitos dos imigrantes em situação de rua estão nessa circunstância por decisão própria. 

“Esses imigrantes acabam chegando pelo fluxo paralelo, sem estarem regularizados e, por algum motivo, infelizmente muitos não querem sair daquela situação. Eu não sei explicar, é algo particular, cultural. Eles preferem ficar lá por motivos que não conhecemos”, afirma o coordenador.  

Segundo ele, a afirmativa vem também de instituições que trabalham diretamente com esse público. “Isso nos comove, mas, infelizmente, não temos opção de socorro. Nós oferecemos ajuda, mas eles não aceitam”, ressalta.  

O Correio do Estado conversou com um dos venezuelanos que veio tentar a vida em Campo Grande. Junto da esposa e do filho, o imigrante não quis se identificar. Sem registro, ele tenta ganhar pelo menos alimento nas ruas da Capital, já que sem documento não é possível conseguir um emprego. 

“Eu vim tentar a vida com a minha família. Não tenho mais ninguém aqui além de amigos da Venezuela, que conseguiram se regularizar e já estão trabalhando. Não consigo emprego por causa do documento, não estou regularizado”, frisa.  

Com dificuldades para falar em português, ele explica que teve receio de chegar ao País de carona, em busca de melhores oportunidades, e conta com a ajuda de amigos para poder se abrigar. 

“Nunca fico em um lugar só, passo os dias percorrendo vários cantos da cidade. Estou correndo atrás do meu registro aqui para conseguir um emprego e sustentar minha família”, completa.

Desde março do ano passado, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) iniciou o acolhimento emergencial à população em situação de rua, migrantes e estrangeiros, com o objetivo de evitar a aglomeração de usuários.  

Para que o objetivo fosse alcançado, foram criados outros locais institucionais provisórios de acolhimento além do Cetremi. Um deles fica localizado na Escola Municipal Professor Antônio Lopes Lins, que tem como público-alvo migrantes e estrangeiros.  

Últimas Notícias

NA RUA

O número de moradores de ruas, que não são imigrantes, também é grande. Artemiro Versoza destaca que uma das características dos moradores de rua é o consumo de álcool e drogas.

“Hoje, temos um perfil diferente de antigamente, e em casos como este dependemos de ações integradas”, afirma Artemiro. “Álcool e drogas não podem ser pensados a partir da assistência social, é preciso atuação de outra política, que neste caso é a de saúde”, acrescenta, explicando ainda que o tratamento para os vícios não é feito pela assistência social.

O coordenador frisa que Campo Grande não tem uma pesquisa para quantificar o número de pessoas que moram nas ruas da Capital, mas possui um levantamento de quantos são atendidos pelo Cetremi. Além do atendimento técnico, as unidades também ofertam roupas, banheiros, camas e pelo menos três refeições diárias.

Assine o Correio do Estado

Educação

Pé-de-Meia Universitário deve começar em 2027 para aluno do CadÚnico

Programa também será universalizado para ensino médio público em março

04/11/2026 23h00

Programa também será universalizado para ensino médio público em março

Programa também será universalizado para ensino médio público em março Fabio Pozzebom / Agência Brasil

Continue Lendo...

Venda Suspensa

Cade suspende aval à venda do Consórcio Guaicurus por possíveis omissões

Decisão do órgão federal determina nova análise da negociação após questionamentos sobre intervenção municipal, situação financeira das empresas e disputas judiciais.

04/11/2026 20h32

Ônibus do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande; Cade suspendeu aval à venda das empresas.

Ônibus do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande; Cade suspendeu aval à venda das empresas. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).