Lamborghini, Corvette e Porsche estão entre os 40 itens que serão leiloados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senad/MJSP).
Os carros de luxo foram apreendidos durante a Operação Status, deflagrada em Mato Grosso do Sul pela Polícia Federal, e fazem parte de um montante de mais de R$ 230 milhões apreendidos no Brasil.
A operação focou na família Morinigo, quadrilha que atuava no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no Estado e ostenta mansões, carros de luxo, iates e fazendas compradas com dinheiro do tráfico.
Na época, o delegado Elvis Secco, responsável pela Coordenadoria de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas da Polícia Federal, afirmou que a operação usaria outra estratégia, que iria além da apreensão das drogas. “Quando se investiga tráfico de drogas, não se vislumbra mais o viés da apreensão da droga. Fizemos isso durante décadas; não traz resultado”, afirmou.
A quadrilha era chefiada por Emídio Morinigo Ximenes e seus filhos, Jéferson Garcia Morinigo e Kleber Garcia Morinigo.
Emídio Morinigo tinha registros de atuação no tráfico de cocaína há pelo menos 30 anos. Já os irmãos eram responsáveis pela administração das atuações no mercado ilegal.
Eles faziam depósitos para as famílias dos presos captados pela polícia enquanto estavam trabalhando para eles, como uma espécie de pensão por prisão.
Pelo rastreamento feito pela PF, os pagamentos aconteceram de 2014 a 2020. Os carros luxuosos faziam parte do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. O grupo era dono de uma revendedora de veículos já desativada, que funcionava na Avenida Eduardo Elias Zahran. Outra Garagem, também administrada pelos Morinigo, se localizava na Avenida Salgado Filho.
“Tinham uma garagem de veículos aqui, que depois foi transformada em uma construtura, mas abriram uma outra garagem com mesmo nome em Cuiabá (MT), que pertencia a um parceiro deles. Era onde estavam os carros luxuosos”, explica um dos responsáveis pelo caso, o delegado Lucas Vilela, da Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE), da PF no Estado.
Na garagem localizada em Curitiba, uma Lamborghini Diablo foi avaliada em mais de R$ 1 milhão. Outro modelo apreendido foi a Lamborghini Aventador, avaliada em mais de R$ 2 milhões.
A lista de luxo desses veículos também inclui um Audi, avaliado em R$ 718 mil, e Ford GT, de R$ 1,3 milhão. A organização usava esses carros em ralis e eventos de arrancadas.
Os automóveis mais “simples” que estavam na garagem de Campo Grande eram de marcas como Land Rover, Mini Cooper, Mercedes-Benz, BMW, além de várias caminhonetes. Estes eram usados no dia a dia pela família, por serem mais confortáveis.
O delegado Vilela afirmou que já houve oferecimento de denúncia na Justiça e atualmente as investigações foram encerradas. Todos os veículos apreendidos serão leiloados.
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RESUMO DA OPERAÇÃO
Deflagrada em 2020, a Operação Status desmantelou a quadrilha que tinha Emídio Morinigo Ximenes e seus filhos, Jéferson Garcia Morinigo e Kleber Garcia Morinigo, como “chefões”.
A família, que para muitos era apenas composta de empresários bem-sucedidos da Capital, tinha o luxo sustentado pelo transporte de cocaína.
Os bens móveis e imóveis bloqueados pela Justiça correspondem a cerca de R$ 230 milhões no Brasil. Além desses, outros R$ 600 milhões em bens mantidos pela família no Paraguai também foram presos. A quadrilha usava as fazendas e revendedoras de carros de luxo como álibi, para justificar a origem do dinheiro que vinha do tráfico.
Na época, o delegado Vilela contou que era tanto dinheiro, que os empregados da quadrilha alugavam imóveis em várias cidades para servir de “bunkers”, onde guardavam as cédulas.
No Brasil, o dinheiro em espécie era sacado em casas de câmbio, localizadas em Curitiba (PR) e São Paulo (SP). Depois, o dinheiro era depositado em contas bancárias de empresas de fachada que eram registradas em nomes de laranjas e movimentavam milhões.
A operação, deflagrada com a ajuda da Receita Federal, identificou a movimentação de R$ 278 milhões pelo grupo. Isso no período compreendido entre 2016 e 2018.
OPERAÇÃO STINGER
Entre os veículos que serão leiloados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública estão as apreensões da Operação Stinger, também deflagrada em Mato Grosso do Sul.
Em 2019, a Polícia Federal prendeu traficantes foragidos em Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense que faz divisa com o Paraguai.
De acordo com a Polícia Federal, os imóveis alvos das buscas eram localizados próximos à rodoviária da cidade, sendo um deles uma residência de alto padrão.
Durante as buscas, que tiveram o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, foram apreendidos sete veículos e uma moto, três pistolas, munições, R$ 10 mil e 16 celulares.
LEILÃO
De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, só em Mato Grosso do Sul já foram arrecadados quase R$ 3 milhões em 14 leilões, desde 2019, com a venda de mais de 169 bens.
O recurso, oriundo de crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes, é destinado ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), que financia projetos que reforçam a segurança pública e o combate às drogas no País.
De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), ainda não há data definida para a realização do leilão dos carros de luxo apreendidos pela Operação Status, deflagrada em Mato Grosso do Sul.