Fahd Jamil, conhecido como 'rei da fronteira', conseguiu autorização na Justiça para realizar uma cirurgia cardíaca de urgência. O réu foi levado para um hospital de Campo Grande nesta quinta-feira (27).
A necessidade do procedimento cirúrgico foi identificado nos exames para dar base ao laudo do perito oficial sobre o quadro de saúde do preso. O empresário ficará sob escolta policial.
De acordo com o advogado André Borges, “Fahd Jamil é idoso e tem a saúde bastante debilitada, razões que levaram o judiciário a autorizar cirurgia de urgência”.
Fahd Jamil está preso na Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), e solicitou ao juiz da 1 ª Vara Criminal de Campo Grande, Roberto Ferreira Filho, que pudesse realizar o procedimento.
Recentemente, a defesa de Fahd havia feito um pedido de prisão domiciliar, pois, alegou que o estado de saúde do réu é grave.
Ainda não houve decisão sobre essa solicitação, nem sobre o pedido de prisão domiciliar.
Jamil foi preso após se entregar em Campo Grande, desde então, está em uma cela do Garras, por questões de segurança e até, que uma perícia médica oficial constante se ele tem condições de continuar encarcerado.
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Organização criminosa
Fahd Jamil foi alvo da terceira fase da Operação Omertà, denominada Armagedom, que cumpriu dezenas de mandados de prisão em junho do ano passado.
Ela agiu contra os laços de influência e poder que o grupo chefiado por Jamil Name e Jamil Name Filho tinha com vários órgãos da administração pública, e também com Fahd Jamil, de Ponta Porã, chamado de “Rei da Fronteira”, e considerado seu parceiro para trama de execuções e movimentações de arma.
Ao pedir os mandados de prisão preventiva, de prisão temporária e de busca e apreensão, o Gaeco dividiu a então nova fase da organização criminosa em dois núcleos: o comandado por Jamil Name, em Campo Grande, e o comandado por Fahd Jamil, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.
O assassinato do ex-chefe de seguraça da Assembleia Legislativa, Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho de 2018, é o elo que expõe a aliança existente entre o que os investigadores chamam de organizações criminosas de Jamil Name e de Fahd Jamil.
De acordo com Ministério Público Estadual (MPE), o crime foi encomendado por Fahd Jamil e executado pelo suposto grupo criminoso chefiado pelos Name.
Conforme a investigação, o motivo seria uma vingança pela morte de Daniel Jamil Georges, filho de Fahd. Ele desapareceu em 2011 e foi declarado morto em 2019. Ilson teria sido um dos responsáveis por esse desaparecimento.
Além do assassinato de Figueiredo, o grupo de Fahd Jamil também teria executado o pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira (o Betão), em abril de 2016, e também de Orlando da Silva Fernandes (o Bomba) em outubro de 2018.
O grupo de Fahd Jamil mantinha na Fazenda Três Cochilhas, em Ponta Porã, uma fazenda que seria um verdadeiro “bunker”. Uma espécie de quartel-general da pistolagem.
O monitoramento avançado do Gaeco permitiu verificar movimentações financeiras envolvendo os grupos de Jamil Name e Fahd Jamil. Elas sempre ocorriam em maior volume perto das datas das execuções. Foram pelo menos oito transferências entre os grupos, no valor de R$ 130 mil, indica a investigação.
Em outubro do ano passado, a Justiça aceitou a denúncia contra Fahd e os Name pela execução de Figueiredo.
O indiciado tinha um mandado de prisão em aberto e chegou na manhã de hoje, em um avião, desembarcando no Aeroporto Santa Maria, onde equipe do Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro (Garras) o aguardava.
A apresentação foi negociada entre o advogado do acusado e a polícia.