Cidades

PANDEMIA

Secretaria investiga novas variantes da Covid-19 em MS

Mato Grosso do Sul já encaminhou 700 amostras para mapeamento genômico de cepas

Com a alta mobilidade social atrelada à lenta vacinação contra a Covid-19, novas variantes do coronavírus surgem a todo o momento. Para o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, enquanto 70% a 80% da população não for imunizada, novas cepas poderão circular em Mato Grosso do Sul. 

Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem feito o mapeamento genômico para descobrir se o Estado tem novas variantes em circulação no território. Com possibilidade até mesmo de cepas “caseiras”, o que ainda não foi encontrado. Ao todo, MS mandou para análise 700 amostras.

Até esta semana, 13 cepas de coronavírus já foram encontradas em MS. Segundo o relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAs), das quatro variantes de preocupação mundial, com risco potencial para a saúde pública, apenas a P.1, descoberta em Manaus, está presente no Estado.  

A linhagem brasileira B.1.1.28 predomina em 32,4% dos casos de contágio de Covid-19 em MS. Empatadas em segundo lugar, as cepas B.1.1.33 e P.1 estão presentes em 21,6% dos casos de coronavírus, cada.  

Até agora, 37 países e territórios confirmaram a presença de uma ou mais das quatro variantes de preocupação. 

A variante B.1.1.7 (originada no Reino Unido) foi confirmada em 34 países; a variante B.1.351 (com origem na África do Sul) em 17; já a variante P.1 (descoberta em Manaus) foi identificada em 21 países; a variante B.1.617 (proveniente da Índia) em oito.

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Conforme a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, por volta de 700 amostras foram selecionadas para sequenciamento genômico. Dessas, 176 já tiveram seus resultados enviados ao Estado pelos pesquisadores parceiros da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Adolfo Lutz.  

Maymone afirmou que novas amostras estão sendo coletadas pela SES nos municípios de fronteira com o estado de São Paulo, Paraguai e Bolívia. “Temos uma variante nova, descoberta na Índia, e o mundo todo está em alerta”, afirmou.  

O infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda explicou que a maior transmissibilidade da Covid-19 condiciona o surgimento de novas variantes. 

No entanto, Croda salientou que a maioria das cepas não terá uma importância epidemiológica, na prática, isso significa que nem todas as linhagens descobertas terão a capacidade de agravar a pandemia.  

“Existem menos de 10 variantes que têm importância epidemiológica. Geralmente, são aquelas associadas a maior transmissibilidade ou maior gravidade”, explicou. Conforme o pesquisador, no momento, a cepa P.1 é a de maior importância epidemiológica no País por ser a mais frequente nos estados.  

Questionado sobre a possibilidade das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia colaborarem com surgimento de novas cepas do coronavírus, Croda explicou que o nível de transmissibilidade da doença é maior em MS do que nestes países, e por essa razão talvez o Estado possa fazer o papel de “exportar cepas”.  

“Por conta da mobilidade das fronteiras, novas variantes podem ser introduzidas tanto aqui no Estado quanto no Paraguai e Bolívia. O surgimento de uma nova variante não está relacionado com a fronteira e, sim, pela maior transmissibilidade em conjunto com falta de medidas de controle”, reiterou o pesquisador.  

TESTES

Professor da UFMS e responsável técnico pelo Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias (LabDip) da Faculdade de Medicina, James Venturini, afirmou que mais de 40 amostras de Covid-19 estão em análise para sequenciamento genômico na instituição. Os resultados devem sair em 10 dias.  

Por meio da metodologia de triagem, os pesquisadores selecionaram os exames com uma carga viral de coronavírus mais elevada. Depois dessa etapa, o teste RT-PCR é submetido a diferentes reagentes e é novamente analisado.  

Em média, cada teste demora sete dias para ser sequenciado geneticamente. “Temos de juntar várias amostras para fazer o sequenciamento de uma vez. O equipamento trabalha dessa forma, e, para se ter uma ideia, só para ligarmos o equipamento, o custo com reagentes é de R$ 6 mil”. 

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