Campo Grande ainda precisa que mais de meio milhão de pessoas tomem as duas doses da vacina contra a Covid-19 para atingir a imunidade coletiva.
Júlio Croda, epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), diz que a pesquisa feita em Serrana (SP), onde quase toda a população adulta foi imunizada, revela que a proteção começa a ser notada quando 75% da população total estiver totalmente protegida.
Inicialmente, os cientistas falavam que 70% já seriam suficientes, mas a realidade mostrou um cenário completamente diferente das estimativas.
No caso da Capital sul-mato-grossense, a estimativa populacional mais recente feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a cidade tem 902 mil habitantes. Isso significa que com 675,5 mil vacinados a cidade já começaria a experimentar os efeitos da chamada imunidade coletiva, incluindo redução de casos graves e internações.
A cidade, para atingir a imunidade coletiva, precisaria que os 166,6 mil que já tomaram a primeira dose da vacina recebessem a segunda dose e que outras 384,3 mil pessoas com mais de 18 anos que não receberam dose alguma recebessem as duas aplicações.
Croda recorda que essa proteção só é possível quando essa quantidade tiver recebido as duas doses preconizadas pelos laboratórios fabricantes.
Segundo informações coletadas pelo Correio do Estado, no site da Prefeitura de Campo Grande, durante a tarde de ontem, um total de 124.550 pessoas já haviam cumprido o esquema vacinal. Esse montante equivale a 18,43% do necessário.
Outros 166.633 cidadãos só tomaram uma única dose até a data de ontem. Somados aos que sequer compareceram aos serviços de saúde para serem imunizados, ainda faltam 550.950 pessoas para a imunidade coletiva.
Vale ressaltar que em Serrana apenas a Coronavac foi utilizada. O produto de tecnologia chinesa é produzido no Brasil pelo instituto Butantan. Em Campo Grande, além dessa, também foram disponibilizadas a Astrazeneca (desenvolvida pela Universidade de Oxford e fabricada no País pela Fiocruz) e a substância da Pfizer.
Segundo Croda, cada uma delas tem uma eficácia global diferente, até maiores que a da Coronavac, mas para que as estimativas sejam mais justas é necessário elevar o porcentual da imunidade coletiva de patamar.
O estudo no interior paulista, chamado de Projeto S, teve início no dia 17 de fevereiro, e o objetivo era vacinar toda a população adulta da cidade para avaliar a efetividade do imunizante. Serrana tem cerca de 45 mil habitantes, dos quais 38% são menores de 18 anos, que ainda não podem ser vacinados por falta de estudos clínicos para essa faixa etária.
Com o fim da vacinação em massa, a cidade viu reduzir em 95% o número de mortes por Covid-19. Já o número de casos sintomáticos da doença caiu 80%. A quantidade de hospitalizações teve uma queda de 86%.
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Para tentar resolver problemas na concessão, prefeitura e consórcio buscaram ajuda do Tribunal de Contas do Estado para mediar negociações e um Termo de Ajuste de Gestão (TAG) foi elaborado.
CAMPANHA
Em Campo Grande, a prefeitura já terminou de vacinar os grupos prioritários com pelo menos uma das doses e convocou os cidadãos por faixa etária para irem até um dos pontos de vacinação para receber a primeira imunização. Algumas cidades de Mato Grosso do Sul também fizeram o mesmo após autorização do Ministério da Saúde, na semana passada.
Os órgãos que estão por trás da campanha acreditam que grande parte das pessoas nessa faixa etária já tenha tomado a vacina por estarem dentro das categorias profissionais contempladas ou por terem alguma comorbidade ou deficiência. Dessa forma, o ritmo de vacinação deve caminhar rapidamente até chegar às pessoas de 49 anos para baixo.
À medida que as idades diminuam, mais dias e mais doses serão necessárias. Por isso, quando isso acontecer, é possível que o ritmo reduza, dependendo da disponibilidade do imunizante e também da capacidade de atendimento dos postos de vacinação nos municípios sul-mato-grossenses.
Em Campo Grande, somente ontem, foram vacinadas 5,5 mil pessoas graças ao esquema que conta com quatro drive-trhus e postos em unidades de saúde em várias regiões da cidade.
Para esta semana, devem chegar ao Estado novas doses da vacina da Pfizer. Serão três voos somente nesta semana, o primeiro deles programado já para hoje, trazendo 2,4 milhões de doses, que geralmente são distribuídas proporcionalmente entre os estados.
Já a Fiocruz aguarda a chegada de novas remessas do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para informar quando fará novas entregas das doses da Astrazeneca.