Nos últimos anos, Campo Grande enfrentou índices recordes de altas temperaturas atrelados à baixa umidade do ar durante o período de estiagem. Para solucionar o problema de desabastecimento de água, nove poços de captação já em execução devem garantir o acréscimo de 1,7 milhão de litros por hora de água produzida para a cidade. Isso deve impedir que neste ano haja racionamento de água, segundo a Águas Guariroba.
De acordo com o diretor-executivo da concessionária, Gabriel Buim, dois poços já foram perfurados para captar água do Aquífero Guarani e um aguarda apenas a instalação elétrica. “Serão mais cinco poços no mês de junho. Teremos a implementação de tubulações de grande diâmetro”, afirmou.
A concessionária informou que serão investidos R$ 50 milhões na execução dos nove poços. As obras serão realizadas nos bairros Taveirópolis, Universitário, Nova Lima, Lageado, Parque dos Poderes, Caiobá, Coophavilla II e São Conrado.
Últimas notícias
Na região do Taveirópolis, a estimativa é de que o poço beneficie cerca de 150 mil moradores de bairros como Amambaí, Vila Belo Horizonte, Vila Bandeirantes, Vila Taquarussu, Cohafama, Taveirópolis, Vila Anahy, Vila Jacy, Jardim Leblon, Tijuca, São Jorge da Lagoa, Coophavila II, Tarumã, Pênfigo e Bela Laguna.
Na região do Universitário já foram feitas adequações, como a implantação de uma adutora, tubulação de grande diâmetro, para o transporte do volume de água produzida. A estimativa é de que o poço beneficie cerca de 30 mil moradores na região, com uma vazão de 150 mil litros/hora de produção de água.
Buim explicou ao Correio do Estado que os poços terão profundidade entre 350 metros e 650 metros, com o uso inclusive de equipamentos utilizados na captação de petróleo. Ao ser questionado sobre os riscos de desabastecimento de água, o diretor-executivo da Águas ressaltou que a empresa está se preparando para evitar este cenário.
“Apesar das previsões de uma estiagem mais severa este ano do que em 2020, com esses poços estaremos preparados para que não falte água”, salientou Buim.
Além dos novos poços, a concessionária está modernizando e implementando a rede de água na Capital.
Além do Taveirópolis e do Universitário, os novos poços serão ativados nas regiões do Pioneiros, Nova Lima, Parque dos Poderes, Caiobá, Coophavilla II e São Conrado.
De acordo com o Ranking de Saneamento Básico 2021 do Instituto Trata Brasil, Campo Grande é uma das capitais brasileiras com o melhor índice de atendimento total de água.
A capital sul-mato-grossense é uma das cidades que já atinge 100% dos indicativos de universalização dos serviços de água. A média nacional é de 83,7%.
Assine o Correio do Estado
ESTIAGEM
A estiagem em 2020 resultou no racionamento de água em diversos bairros de Campo Grande entre os meses de agosto e setembro. Para não interromper o fornecimento, a concessionária Águas Guariroba chegou a usar o Balneário Atlântico como fonte de captação, em caráter emergencial.
Neste ano, o local chegou a “secar” após seis meses de ter sido usado como manancial. Conforme a Águas, todos os protocolos referentes à legislação ambiental foram seguidos. Em nota, a empresa afirmou que apenas os proprietários do balneário poderiam esclarecer as causas da redução no volume de água.
De acordo com a concessionária, o consumo de água em Campo Grande foi potencializado no período de estiagem no ano passado, por conta das altas temperaturas. Em um comparativo de 2018 a 2020, a média máxima de temperatura saltou de 28,9°C para 36,7°C.
No mesmo período, a umidade do ar apresentou queda de 13% para 10%. Neste cenário, de 2019 a 2020, o consumo residencial aumentou 4,2% no mês de setembro, 6,1% em relação ao mês de agosto e 5,1% em relação ao mês de julho, quando foi iniciado o período de estiagem.
Conforme o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Olivio Bahia, o período de estiagem em 2021 deve ser mais acentuado do que o registrado nos últimos anos. “Em fevereiro não choveu praticamente nada, mesma tendência registrada em março e em abril. Isso só tende a piorar os níveis dos rios, que já estavam abaixo do ideal”, afirmou.
Para Bahia, apenas com investimento em tecnologias e infraestrutura problemas como desabastecimento de água serão remediados. “Precisaríamos de dois anos de boas chuvas – ou mais – para normalizar os níveis dos reservatórios de água. Por essa razão, é necessário usarmos a engenharia a nosso favor”.