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ESTRUTURA

Infectologista afirma que Hospitais de Campanha diminuem a qualidade e aumentam a mortalidade de pacientes Covid

Mariana Croda assegura que "a melhor estratégia é utilizar a infraestrutura que temos, investindo nos equipamentos necessários"

Beatriz Magalhães

09/06/2021 - 11h16

Mato Grosso do Sul enfrenta o pior momento da pandemia desde seu início, é o que mostra os números diários divulgados no Boletim sobre a Covid-19, pela Secretaria de Estado de Saúde. 

A grave situação tem forçado a transferência de pacientes Covid para outros estados por falta de leitos.

O cenário traz à tona perguntas sobre os hospitais de campanha e, porque eles foram desmontados.

De acordo com a infectologista, especialista em Segurança do Paciente, Mariana Croda, a abertura de hospitais de campanha mostrou não ser a solução, já que pacientes covid têm um quadro muito instável que requer atenção especial.

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“Para dar atenção necessária aos pacientes, é preciso uma estrutura hospitalar. Um hospital de campanha não tem essa capacidade. Desse modo, a unidade acaba diminuindo a qualidade e aumenta a mortalidade dos pacientes”, explica a infectologista.

“A melhor estratégia é utilizar a infraestrutura que temos, investindo nos equipamentos necessários. É preciso ter o básico como rede de gás, hotelaria, equipe, esterilização de qualidade, sala tomografia e entre outras coisas que não é possível ter em um hospital campanha”, acrescenta Croda.

Outra questão pontuada por Mariana é quanto a mão de obra, a falta de profissionais acaba inviabilizando até mesmo a abertura de novos leitos, mesmo que dentro das unidades hospitalares com toda a estrutura necessária.

“O investimento para os hospitais de campanha também é muito alto. Além disso, também temos um outro limitador que é a mão de obra, nós não temos profissionais disponíveis”, analisa. 

Ainda em 2020, foi montado um hospital de campanha no Hospital Regional. A estrutura funcionou por dois meses, entre junho e agosto do ano passado.

A unidade foi montada no pátio do Regional, em Campo Grande, e chegou a ter 120 leitos ativos. 

O investimento na estrutura foi de R$2.090.935,32. Os dados são do Diário Oficial do Estado, e do Portal da Transparência. 

Do total, R$ 338.014,50 foi destinado para locação de mobiliários, em caráter emergencial, para “locação de mobiliários, em caráter emergencial, na construção de um Hospital de Campanha”. 

Mais R$ 978.960,00 foi usado para alugar "estruturas, em caráter emergencial, na construção de um Hospital de Campanha" e ainda, R$ 773.960,82, para a "limpeza, desinfecção e conservação" do espaço.

Na época, o secretário de Estado de Saúde explicou o motivo pelo qual o local estava sem uso.

“Ou porque os pacientes são casos leves demais para serem atendidos pela estrutura, ou porque necessitam de atendimento muito complexo de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), internação, para que a gente mantenha aquela unidade lá. Por isso, vamos desativar aos poucos”, afirmou na ocasião.

SEM LEITOS

Em colapso, a transferência de pacientes Covid foi a única alternativa para atender os doentes que esperam por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com isso, outros estados dispuseram seus leitos para atender os sul-mato-grossenses.

Rondônia e São Paulo são os estados que atendem hoje pacientes de Mato Grosso do Sul, e o Estado já realiza tratativas com outros municípios, já que existe a possibilidade de novas transferências. 

Até hoje, 16 pessoas foram transferidas de Mato Grosso do Sul para outros estados, e de acordo com o Boletim da Covid-19, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, outros 174 aguardam por um leito.

“A transferência de pacientes não é a solução que alguém gostaria de ter, e é por isso que estamos gritando pela compreensão da população. Este não é um colapso iminente, estamos assim há muito tempo”, pondera a infectologista Mariana Croda. 

“ Definitivamente esta não é uma alternativa viável, até mesmo pelo custo, a questão é que não temos opção”, completa a especialista. 

OCUPAÇÃO

O Estado contabiliza nesta quarta-feira (09), 1.287 pessoas internadas com Covid-19. Dessas, 743 estão em leitos clínicos (543 públicos; 200 privados) e outras 544 internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), (419 públicos; 125 privados). 

A taxa de ocupação de leitos SUS/UTI Covid na macrorregião de Campo Grande está em 108%, em Dourados a taxa é de 96%; Três Lagoas 95% e Corumbá 93%.

Nas últimas 24 horas, o Estado registrou 58 mortes em decorrência da Covid-19, totalizando 7.268 óbitos por Coronavírus. A taxa de letalidade está em 2,4%.

“No ranking de letalidade, nós passamos de 20º para 8º. Já perdemos a mão, tivemos bem em 2020, mas isso já passou”, observa Mariana Croda.

“Não está tendo nenhuma medida que consiga conter efetivamente, a circulação do vírus, tirando Dourados que tomou boas medidas vendo esse colapso. Não vemos luz, só achamos que vai ter piora”, lamenta a infectologista.

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