A remessa de 210 mil doses extras da Janssen poderá fazer com que Mato Grosso do Sul, que está entre os estados brasileiros onde a vacinação está mais avançada, tenha um salto de imunização.
O Estado até sexta-feira tinha vacinado 35,06% da população com a primeira dose e completado a imunização de 13,71% com a segunda dose.
Com o novo lote, será possível alcançar o patamar de 42% da população vacinada com a primeira dose até o fim deste mês.
Como a Janssen possui dose única, o salto de imunizados será de 7 pontos porcentuais, ou seja, teremos 21,7% da população completamente protegida contra as formas graves da Covid-19 em poucos dias.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que apenas após o recebimento da pauta definitiva de distribuição do governo federal haverá deliberação sobre a quantidade que cada município vai receber.
Conforme o secretário municipal de Saúde de Corumbá e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems), Rogério Leite, existe uma expectativa de que as vacinas sejam encaminhadas de forma majoritária aos municípios de fronteira.
“No momento, estamos discutindo a distribuição e há um pleito para que os municípios de fronteira recebam mais doses, justamente pelo corredor sanitário em que pessoas de outros países entram para o Brasil por essas cidades. Pretendemos, de uma forma bem técnica, definir esses repasses e acredito que, em razão da nossa eficiência de logística, temos condições de aplicá-las em tempo hábil”, reiterou Leite.
O lote com três milhões do imunobiológico do grupo Johnson & Johnson deverá chegar ao Brasil na próxima semana.
A vacina Janssen tem dose única, eficácia de 85% para casos graves e proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.
Com o prazo de validade das doses para 27 de junho, o País possui uma janela de 10 a 14 dias para aplicar todas as vacinas.
Para o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, qualquer repasse a mais de doses ajudará no controle da Covid-19.
“Quanto maior a cobertura vacinal, melhor. Teremos duas das principais cidades, Ponta Porã e Corumbá, completamente vacinadas”, ponderou.
País vizinho
Enquanto Mato Grosso do Sul já aplicou 1,372 milhão de doses e possui uma cobertura vacinal de 35% dos moradores contemplados com a primeira dose, o país vizinho Paraguai, que conta com mais que o dobro de moradores do que MS, segue de forma lenta na vacinação.
Por volta de 408 mil doses contra a Covid-19 foram aplicadas no Paraguai. Cerca de 79,6 mil pessoas já estão totalmente vacinadas, 1,1% de sua população.
Na Bolívia, as projeções são melhores, com 1,94 milhão de doses já aplicadas e 449 mil moradores imunizados contra o coronavírus.
Mais afetados
Além de Campo Grande, atual epicentro da Covid-19 no Estado, com 110,2 mil casos confirmados e 3.018 mortes pela doença, Ponta Porã enfrenta um cenário de colapso.
O prefeito Hélio Peluffo (PSDB) chegou a alertar que o município estava empilhando corpos.
Com 8.561 casos positivos de Covid-19, Ponta Porã já perdeu 229 pessoas para a doença.
Ao Correio do Estado, Peluffo salientou que as doses extras repassadas à fronteira seriam a melhor estratégia de controle na pandemia.
“Ponta Porã possui 93 mil habitantes oficialmente. No entanto, temos mais de 123 mil carteirinhas do Sistema Único de Saúde. São mais de 15 mil estudantes só de Medicina, e já havíamos pedido ao Ministério da Saúde esse reforço na vacinação”, relatou.
De acordo com Peluffo, o lockdown não é viável na fronteira, haja vista o fluxo de pessoas que existe entre os dois países.
“É importante entender que, se Ponta Porã fechar, as pessoas vão apenas atravessar uma rua e continuar bebendo, comprando e fazendo festas. Imagina fechar apenas metade de Campo Grande, não funciona”, ponderou.
Segundo município mais afetado pela pandemia em MS, Dourados já registrou 34.297 casos de coronavírus.
Além da taxa de ocupação de leitos em 93%, o município já perdeu 556 moradores para a doença.
Em Três Lagoas, 16.786 pessoas já foram contaminadas pelo vírus.
Pelas complicações da doença, 421 moradores já perderam a vida para a Covid-19. Em Corumbá, com 14 mil casos positivos, 403 pessoas faleceram em decorrência da doença.
Doses Extras
Diferentemente de unidades da Federação com maior densidade populacional, Mato Grosso do Sul foi contemplado com um grande quantitativo de doses na primeira remessa de imunizantes.
Isso só ocorreu porque MS possui a segunda maior população indígena do País, público considerado prioritário para a vacinação de acordo com o Plano Nacional de Imunização (PNI).
À época, foram entregues pelo governo federal 158 mil doses contra a Covid-19, das quais 46.180 foram destinadas aos indígenas.
Em razão da crise de oxigênio, Manaus recebeu do Ministério da Saúde, em fevereiro deste ano, 5% dos 4,8 milhões de vacinas Coronavac, cerca de 240 mil doses. O restante foi dividido de acordo com o público-alvo dos demais 26 estados.
Nesse lote, MS foi contemplado com 13.200 doses da vacina sino-brasileira. A distribuição extra mais recente foi acordada com a prefeitura de Cuiabá (MT), uma manobra realizada para que a cidade seja uma das sedes dos jogos da Copa América.
Mil novos casos
De acordo com o boletim epidemiológico da SES, nesta sexta-feira (11), foram registrados 2.252 novos casos de coronavírus. Até o momento, 310.626 pessoas já foram contaminadas pela Covid-19 em MS.
Na sexta-feira, 1.252 pessoas permaneciam internadas em hospitais públicos e privados de Mato Grosso do Sul. Destas, 709 estão em enfermaria e 543 em UTIs. A taxa de ocupação de leitos na macrorregião da Capital chegou a 104%; em Dourados, 93%; em Três Lagoas, 94%; e em Corumbá, 96%. Há 257 pessoas na fila de espera por uma vaga hospitalar.