Cidades

Jamil Name

Durante perícia, Jamil Name diz ter R$ 41 bilhões em precatórios para receber

Acusado de chefiar milícia também relatou ter faturado R$ 1 bilhão sendo dono de uma mina ametista

Izabela Cavalcanti

15/06/2021 - 17h20

O empresário Jamil Name, de 82 anos, acusado de chefiar milícia, disse durante perícia psiquiátrica que tem precatórios a receber de, aproximadamente, R$ 41 bilhões, além de ter faturado R$ 1 bilhão sendo dono de uma mina ametista.

O valor dos precatórios é quase três vezes maior que o orçamento do Governo, que é estimado em R$ 16,8 bilhões para este ano.

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No entanto, descontando o deságio e impostos, o empresário estima recebimento em torno de R$ 6 bilhões em precatórios.

Name diz que a mina que comprou há alguns anos tem como sócio Samuel Oliveira, que mora atualmente na Bolívia e ele lhe deve R$ 500 milhões.

Durante a perícia que aconteceu no dia 22 de maio, o acusado relatou ainda que "não é louco" e que quer provar sua inocência. Segundo ele, tem mais de dez pessoas interessadas em tratá-lo como louco para ficar com seus bens.

Entre essas pessoas, Name diz ser um filho, sócios, ex-sócios e advogados, sem ter citado nomes.

Ele nega ainda ser eufórico, impulsivo e nega episódios de alucinações ou delírios.

Ao ser questionado sobre ter tentado subornar o juíz, relatou nunca ter feito isso e o que consta em processo foi um mal-entendido, que estaria apenas solicitando para que o juiz pudesse fazer contato com o Ministro do Superior Tribunal e do Supremo Tribunal sobre os precatórios que possui.

No entanto, o valor dito era de R$ 100 milhões a R$ 600 milhões, valor muito inferior aos R$ 41 bilhões.

Na ocasião, Name apresentava estar adequadamente vestido e bem higienizado, orientado e conseguindo manter a atenção na 'entrevista'.

Informou a data correta em que nasceu, que é casado, tem dois filhos Jamil Name Filho e Jamilson Name, e cinco netos.

Na área cognitiva, Jamil Name não apresentava alterações de ilusões ou alucinações, atenção, formação e curso de pensamento. Apresentava alteração na memória do trabalho e aprendizagem e a capacidade intelectual está compatível com a vivência.

O humor é discretamente deprimido, podendo ser pelo fato de estar preso e sem contato com a família.  

Não apresentava irritabilidade, agitação ou autoagressividade. Apresentou exagero em relação aos bens materiais e possíveis fabulações.

Para o advogado de defesa, Tiago Bunning, o resultado da perícia é 'gravíssimo'.

"É gravíssimo o resultado da perícia. Jamil Name foi diagnosticado com demência, tangenciamento de ideias, fabulações e exagero grosseiro quanto a bens materiais. Segundo os Peritos oficiais foi constatada superveniência de doença mental e esse quadro teve início após a privação da liberdade", ressalta.

Neste momento, Jamil continua intubado em UTI no Hospital Wilson Rosado, de Mossoró, aguardando estabilidade do quadro clínico para poder ser transferido para um hospital particular em Brasília com maiores recursos para o seu tratamento.  

Na prisão  

O acusado disse na perícia que antes de ser preso era tranquilo e dormia bem, mas agora tem tido dificuldades para dormir e que acorda muito cedo, além de já ter perdido 30 quilos.

Dois funcionários da Penitenciária Federal de Mossoró que tinham contato frequente com Jamil também foram questionados.

A técnica de enfermagem relatou que o acompanha a quase dois anos e que Jamil procura 'se virar' sozinho, não aceita bengala, muleta ou cadeira de rodas, mesmo com dificuldade de andar.

Já o chefe de vivência diz que ele apresenta esquecimentos frequentes e que em alguns momentos não tomava os medicamentos.  

Além disso relatou que tem dificuldade de limpar a cela e que às vezes se mostra autoritário e irritado.

Histórico

A vida de luxo de Jamil Name começou em 1957, quando morava em São Paulo. Em 1958 foi morar sozinho em Campo Grande, onde fez sociedade com um conhecido e passaram a fazer anotação de jogo de bicho e pif-paf.

Depois de algum tempo desfez a sociedade e passou a fazer a anotação do jogo sozinho.

Após isso, fez sociedade em negócio imobiliário, fundando a imobiliária Fena, fazendo muitas transações em terras em Mato Grosso (antes da divisão), São Paulo e Paraná. 

Abriu também diversos loteamentos de condomínios na Capital de Mato Grosso do Sul.

Ao ser questionado sobre o motivo de estar preso, lembra que foi preso em 2019, com acusação de ser chefe de quadrilha de extermínio e tráfico de arma; mas que é inocente e quer provar isso.

Name foi preso em 27 de setembro de 2019, na Operação Omertà, sendo apontado como chefe de milícia e responsável por uma série de assassinatos no Estado.

No dia 30 de outubro do mesmo ano, foi transferido para o Presídio Federal de Mossoró, onde permanece desde então.

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