Cidades

PANDEMIA

Metade dos internados em UTIs públicas na Capital morreu

Levantamento feito pelo Correio do Estado mostrou que letalidade em leitos do SUS foi maior do que em privados

Quase metade dos pacientes com Covid-19 que são internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) em hospitais públicos morre. 

Levantamento feito pelo Correio do Estado nos principais hospitais de Campo Grande revela que a taxa de letalidade no cuidado intensivo do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 48,52%. 

Já na rede privada, o porcentual é menor, com 33,76% dos pacientes vindo a óbito.

Os números foram repassados pelas próprias unidades de saúde a pedido da equipe de reportagem. O recorte da contagem vai desde o início da pandemia, em março de 2020, até a semana passada.

No atendimento pelo sistema público, Santa Casa e Hospital Universitário foram os únicos a apresentarem os números brutos de internados, mortos e sobreviventes. 

Somando os números de ambas as unidades, tem-se que das 237 pessoas que foram parar na UTI faleceram 115.  

Os números foram repassados pelas próprias unidades de saúde a pedido da equipe de reportagem. O recorte da contagem vai desde o início da pandemia, em março de 2020, até a semana passada.

No atendimento pelo sistema público, Santa Casa e Hospital Universitário foram os únicos a apresentarem os números brutos de internados, mortos e sobreviventes. 

Somando os números de ambas as unidades, tem-se que das 237 pessoas que foram parar na UTI faleceram 115.  

Últimas notícias

O Hospital Regional, referência no tratamento da doença pandêmica pelo SUS em Mato Grosso do Sul, não informou os números brutos, mas forneceu a taxa de letalidade em UTI já calculada. Segundo a diretora da unidade, o porcentual varia entre 40% e 50%, batendo com os dados dos demais hospitais da rede.

Na Cassems, conforme a assessoria de imprensa, já foram admitidos na UTI Covid-19 um total de 1.016 pacientes desde o início da pandemia, dos quais 343 vieram a óbito. 

Isso resulta em um porcentual de letalidade de 33,7%, o menor entre todos os que repassaram informações.

O Hospital Unimed e o El Kadri também foram consultados. 

O primeiro, um dos maiores da rede privada em Campo Grande, não conseguiu levantar os dados porque até mesmo os profissionais da frente administrativa, que poderiam fazer o levantamento, estariam prestando atendimento aos pacientes e ninguém estaria disponível para consultar o sistema e checar as informações.

“Neste momento de aumento expressivo de novos casos de coronavírus, todos os profissionais da saúde estão empenhados em garantir a melhor assistência aos nossos pacientes, não sendo possível parar as equipes para realizar este levantamento”, informou o comunicado da unidade.

Já o El Kadri informou que havia funcionários em férias e com atestado médico, de modo que as pessoas disponíveis estavam atarefadas com as atividades e não conseguiram fazer o levantamento solicitado.

Ninguém da Clínica Campo Grande foi localizado para colaborar com a reportagem.

NACIONAL

O resultado em Campo Grande bate com uma pesquisa do projeto UTIs Brasileiras. Do começo da pandemia até 26 de maio deste ano, 54% dos pacientes internados por Covid-19 em UTIs públicas morreram. A taxa é de 30,4% nos hospitais privados, conforme foi divulgado pelo site Poder 360. 

Os números foram colhidos em 641 hospitais, dos quais 398 eram públicos e 243 particulares.

Para o infectologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com o colapso do sistema em razão do aumento de casos, os pacientes acabam chegando aos hospitais públicos com um quadro de saúde mais comprometido. “E essa diferença tende a aumentar”, afirmou ao Correio do Estado.

Já a diretora do Regional disse que 80% dos pacientes atendidos são gravíssimos e dificilmente é possível levar pacientes para a UTI que já não estejam intubados em razão da falta de leitos. “No privado, eles levam com máscaras de cinco litros, sem falar que o estado de saúde de pacientes carentes é pior”.

Por outro lado, ela afirma que a unidade é observada pelo Brasil e, mesmo diante de todas as adversidades, as equipes têm conseguido manter taxas abaixo das registradas nas demais unidades da Federação que atendem pelo SUS. 

Considerando todas as pessoas atendidas, incluindo aquelas que acabam morrendo antes mesmo de conseguir vaga na terapia intensiva, a taxa de letalidade da Covid-19 no Hospital Regional é de 23%.  

Muitas pessoas, segundo ela, infartam ou sofrem algum outro tipo de problema vascular nas enfermarias e não resistem. Desde o começo da pandemia, de 5.699 casos confirmados atendidos no hospital, 1.484 vieram a óbito. 

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